Urias usa sua música para elevar vozes de pessoas trans: “não sou apenas o meu gênero ou cor de pele

Em janeiro desse ano, a cantora Urias foi lançada ao mundo ao ser convidada para fazer parte do projeto #YouTubeBlack Voices 2021, que teve como intenção promover a cultura negra, suas narrativas e a justiça racial. A artista brasileira viu-se estampada em telões da Olympic Boulevard, em Los Angeles, e da Times Square de Nova Iorque.

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“Ter meu trabalho estampado no coração da Times Squares é extremamente significativo. Me senti feliz, senti meu trabalho sendo valorizado. Uma grande realização”, conta ao DOMÍNIO.

Nascida e crescida em Uberlândia, Minas Gerais, Urias fala muito sobre representatividade em suas canções ao contar sobre a vivência de um corpo trans na sociedade brasileira e as poucas possibilidades de escolha, se não o enfrentamento do preconceito.

“Tinha medo de não arrumar emprego, de recorrer a situações extremas e estilos de vida que não me são seguros”, conta ela. “Eu me preservei, esperei o momento que estivesse física e financeiramente bem para iniciar a transição. Não contei para ninguém, a princípio. Minha mãe foi observando até o dia que me perguntou e eu confirmei. Foi um choro, mas de afeto, apoio. Foi bonito.”

E ela sabe que carrega uma responsabilidade para com a comunidade trans por conta de sua visibilidade. “É importante, sim, se manifestar, se posicionar, principalmente com tudo que represento, porque isso ganha voz e ganha força.”

“Quero que o mundo sabia que não sou apenas o meu gênero ou cor de pele. Sou uma pessoa complexa, cheia de camadas e subjetividades como todos”, acrescenta Urias. “Meu desejo é poder abrir as portas e lotar os espaços de pessoas iguais a mim ou com histórias e experiências semelhantes as minhas. Quero criar um futuro que os desafios e problemas que enfrentei não se repitam e se tornem os desafios e problemas das novas gerações.”

O começo na música

A relação da artista com a música começou de forma muito natural. Ela iniciou sua carreira no mundo artístico nas passarelas, ao desfilar para a São Paulo Fashion Week e Casa dos Criadores. Depois disso, foi apenas questão de tempo até ela se encontrar como cantora.

“Aconteceu naturalmente por estar envolvida com arte. Comecei trabalhando como modelo e aos poucos, fui me envolvendo mais e mais nesse universo. A música sempre fez parte da minha vida e, quando comecei com covers, fui vendo que era uma paixão e quis me dedicar 100% a isso.”

Uma plataforma para gerar debates

Com a sua voz, ela procura trazer debates e reflexões relacionadas a vivência de pessoas transgênero. “Desconstruir é o primeiro passo, é preciso acabar com preconceitos e estigmas e só com informação e estímulo à conversas faremos isso.”

“Eu, como tantas outras artistas, representamos nossa comunidade”, continua. “Sou cantora, sou uma mulher trans, tudo isso diz muita coisa. Ter um lugar de destaque não é tão fácil, então quando você ocupa esse espaço, o que você fala tem um grande alcance. É importante sim se manifestar, se posicionar, principalmente com tudo que represento, porque isso ganha voz e ganha força.”

No meio artístico, ela conta que as mulheres trans que mais admira e se inspira são Valenttina Luz, Neon Cunha,  Magô Tonhon, Luna Ventura, Linn da Quebrada, entre muitas outras.

Pandemia e futuro

Em 2021, Urias pretende lançar o seu primeiro álbum completo de estúdio. Nos últimos dois anos, ela lançou hits poderosos como Diaba e Racha, e pretende dar segmento a sua carreira com um disco nos próximos meses.

Durante a pandemia, ela conta que manteve a cabeça no lugar dormido bem, se alimentado com equilíbrio e com treinos. “Exercício sempre me ajuda”, revela.

E para enfrentar as situações adversas que nos rodeiam, ela deixa um conselho dado por sua mãe: “Deseje a felicidade para todo mundo, principalmente para quem você não gosta, porque quem está feliz não enche o saco.” Certíssima, né?

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