Ryan Realcria: Hip Hop é uma cultura negra e que brancos se apossaram

Desde sempre, o rap é uma ferramenta poderosa para pessoas se expressarem sobre a realidade do Brasil através da música. Infelizmente, o ritmo ainda carrega o estigma se ser associado a drogas e violência, porém é apenas um movimento que conta histórias, sonhos e narra a uma realidade muitas vezes ignorada.

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Para Ryan Realcria, um dos novos nomes que tem se destacado na cena, o preconceito no Brasil tem diminuído, mas ainda há muito o que conquistar. “O rap hoje em dia está sendo bem mais abraçado do que antes, e vai mudar muito ainda, tem muita coisa para acontecer no meio do Rap”, conta ele ao DOMÍNIO. “Mas ainda sofre muito preconceito, sim, tem muita gente que não curte e abomina, fala que é som para quem é usuário de drogas, de má influência. Mas a verdade é que nós contamos a realidade, o que acontece, o que a gente sonha, o que queremos ter, é o que falamos nas letras.”

Para ele, o Hip Hop é uma cultura negra, onde brancos se apossaram dela.
‘’Isso de diferença entre etnia não existe mais não. Os negros ocuparam os seus lugares, e talvez tenha até mais negro do que branco na cena musical. O Hip Hop é uma cultura negra, tem muitos brancos se apossando disso, mas tem espaço pra todo mundo, todo mundo tem direito de fazer música.’’

O rap e o racismo

Assim como muitos outros rappers, Ryan conta que sim, já sofreu preconceito por conta do ritmo. Mas algo que o persegue diariamente é o preconceito racial. “Já passei por várias situações de racismo, mas uma das mais chatas que acontece constantemente é em mercado. Quando vou fazer compras no mercado, seguranças ficam me perseguindo, toda prateleira que eu vou ficam me seguindo.”

Se falando de rap, Ryan conta que o estilo até que é bem aceito pelos seus pais, porém ainda é visto como coisa de “vagabundo” pela sua mãe e avó. “A indústria da música ainda não é tão bem reconhecida aqui no país como é lá fora. Lá fora quem faz música tem respeito, além de ter escolas só para isso, já olham como um trabalho de verdade. Mas a família em si, só estão preocupados com o meu futuro, o que vou ser, mas me amam muito.”

“A música mudou muito a minha vida, me elevou a outro patamar que eu achava que era impossível”, continua ele. “Antes eu trabalhava muito vendendo empadinhas na rua, era um negócio que eu conseguia tirar um dinheiro legal, mas eu não estava feliz. Era um trabalho muito cansativo e eu queria fazer o que eu gostava de verdade, que é a música, então botei a cara no Rap e vim ganhando números na internet, no Youtube e graças a Deus foi uma mudança radical na minha vida. Tem muita coisa pra acontecer ainda, não vou parar aqui porque meu sonho ainda não foi realizado completamente, falta muita coisa para realizar ainda e vai dar tudo certo.”

E estaremos juntxs acompanhando!

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