Racismo estrutural: o que é? Ainda existe? Como lutar contra?

Fotos: Unsplash

O racismo no Brasil tem uma grande raiz: o nosso país foi o último do continente americano a abolir a escravidão, em 1888. Até aí, os negros traficados eram mantidos em condições subumanas de trabalho, sem remuneração e debaixo de açoite. Portanto, o racismo no Brasil é estrutural. Mas o que realmente significa esse termo?

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Segundo o Mundo Educação, o racismo estrutural está cristalizado na cultura de um povo, de um modo que, muitas vezes, acaba passando imperceptível. Sua presença pode ser percebida quando vemos que poucas pessoas negras ou de origem indígena ocupam cargos de chefia em grandes empresas, nas universidades, locais em que a maioria esmagadora é branca, ou quando, em pleno 2020, ainda existam expressões e piadas racistas inseridas em nosso vocabulário. A situação fica ainda pior quando as ações ou constatações descritas são tratadas com normalidade.

“O racismo estrutural é o preconceito enraizado e entranhado na sociedade”, explica a antropóloga e professora doutora emérita da UFPA Zélia Amador ao jornal O Liberal

“De modo que todas as atitudes e discursos que humilham, diminuem, agridem e ofendem negros, apenas pelos traços étnicos — olhos, boca, cor da pele, cabelo e etnia — sejam consideradas ‘normais’. Reclamar disso é chamado, como qualquer outro posicionamento contra opressões, de ‘mimimi’.”

O fato de 75,5% das vítimas de homicídio no Brasil serem negros, como aponta o Atlas da Violência 2019, é uma manifestação do racismo estrutural, assim como o uso de expressões extremamente racistas, como humor negro, ovelha negra, denegrir…

Ainda existe?

Sim. O racismo estrutural é uma das grandes pedras no caminho para uma maior igualdade no Brasil. Um exemplo: temos uma população em que 52% das pessoas são negras. Porém, essa representatividade não se aplica em setores como o Congresso Nacional, por exemplo. Por lá, 96% dos parlamentares são brancos.

O contraste explícito entre o perfil da população brasileira e o perfil das pessoas que ocupam cargos de chefia em grandes empresas mostram a presença forte do racismo estrutural em nossa sociedade.

O que diz a lei?

A Lei Caó 7.716, de 1989, tornou o racismo um crime inafiançável e imprescritível com pena de reclusão de até cinco anos. Porém, isso não impede a existência do racismo estrutural por aí.

O problema do Brasil é que o negro é frequentemente associado a cargos que exigem um esforço físico muito grande, e não intelectual. Esse problema se reflete nos cargos ocupados por negros em grandes empresas e até na população carcerária – segundo o Infopen (Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias), dois terços das pessoas que estão nas cadeias brasileiras são negros.

Como lutar contra?

O primeiro passo é reconhecer que pessoas brancas têm privilégios. É essencial que os brancos usem esse privilégio para serem não apenas antirracismo, mas antirracistas.

“Precisamos que a branquitude se implique na causa de maneira honesta para que possamos dar um passo social frente à questão”, diz Aza Njeri, doutora e mestre em Literaturas Africanas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ao Catraca Livre.

Segundo Aza, educar-se é um bom primeiro passo. “É importante a educação racial para entender a sua relação pessoal com o racismo (…). Com essa informação, o indivíduo escolherá se quer ou não contribuir para a manutenção do status quo.”

Apesar de a educação ser importante, Aza destaca que não é obrigação de pessoas negras fazerem isso. “Acho inconcebível exigir que a negritude gaste a sua energia educando-os, sendo que eles próprios têm meios para tal. Eles têm filosofia, história, literatura, tecnologia, academias pensantes capazes de fazer isso e, se não o fazem, é porque não é interessante para eles”, aponta ela.

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