Por que legalizar um instrumento de morte?

Gostaria de iniciar o texto desta semana enfatizando que esta é uma coluna, ou seja, é uma matéria de caráter opinativo. Deixo claro, também, que todos os comentários e críticas construtivas são bem vindos. Entretanto, ainda se trata de um texto jornalístico e todas as informações foram verificadas.

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Bom, o tema de hoje é uma polêmica já antiga no Brasil e no mundo: a legalização da posse e porte de armas de fogo. Esse assunto ganhou ainda mais destaque durante as eleições de 2018, quando o então candidato Jair Bolsonaro colocou o armamento da população como uma de suas principais propostas. Enquanto muitos defendem a pauta, outros a condenam fortemente.

O fato é: Bolsonaro foi eleito Presidente da República e está tomando medidas para cumprir sua promessa. Na última sexta-feira, 12 de fevereiro, Bolsonaro assinou 4 decretos a favor da flexibilização de compra e uso de armas de fogo. De acordo com a CNN, tal ato totaliza 31 mudanças na política de armas do Brasil desde o começo de seu mandato, em 2018.

É extremamente importante entendermos o que essas medidas significam para a população brasileira. A mudança que mais chamou a atenção da mídia foi o número de armas que um cidadão comum pode ter, o qual aumentou de quatro para seis. O assunto gerou polêmica, como esperado. Entretanto, gostaria de destacar outras consequências dos decretos que acredito merecer mais atenção e indignação.

A partir de agora, a aptidão psicológica para CACs (colecionadores, atiradores e caçadores) requer aprovação de qualquer psicólogo registrado no Conselho Regional de Psicologia. Antes do decreto, era necessário um laudo assinado por um psicólogo cadastrado na Polícia Federal.

Profissionais sem treinamento especializado podem autorizar qualquer cidadão (que cumpra os requisitos) a comprar uma arma de fogo. Com certeza esse fato causa revolta em muitos brasileiros. E é triste reconhecer que uma parcela bastante significativa da população ainda apoia esta pauta.

Os perigos das novas medidas não terminam por aí. Um dos decretos autoriza jovens entre 14 e 18 anos a utilizar armas emprestadas de colegas. A regra anterior já permitia o uso por adolescentes autorizados pelos pais, mas o instrumento deveria pertencer aos genitores ou ao clube de tiro.

Esta alteração na lei acontece 7 meses após o caso de Isabele Ramos Guimarães, que repercutiu no Brasil todo. A jovem de 14 anos morreu após ser baleada com um tiro no rosto por outra adolescente de 15 anos. Vale ressaltar que a arma era emprestada do pai do namorado da jovem que cometeu o crime. Situação exata à que a lei permite com as mudanças assinadas por Bolsonaro.

Deixa-se claro, então, que a posse e porte de armas traz sim um risco à população. Existem muitas formas de defesa, mas a morte não é uma delas. Para encerrar este texto, gostaria de indicar o documentário Tiros em Columbine, dirigido por Michael Moore. O longa conta a história do tiroteio que matou 13 jovens em um colégio dos Estados Unidos e aponta as consequências negativas e fatais que a posse de armas de fogo traz para a população.

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