“O Diabo de Cada Dia”: uma teia de tragédias e um elenco de ouro

Quando a Netflix divulgou os primeiros detalhes de sua nova produção, O diabo de cada dia, os telespectadores e críticos já criaram suas apostas e expectativas. A trama conta com nomes importantíssimos do cinema atual, tendo como protagonista o ator Tom Holland, atual intérprete do Homem-aranha; Bill Skarsgârd, de It: a coisa; e Robert Pattinson, de Crepúsculo e protagonista de The Batman.

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Assim que o filme estreou no catálogo da plataforma de streaming, já se posicionou durante dias no TOP 10 e virou assunto entre os apaixonados por cinema. Dirigido por Antonio Campos e baseado no livro de Donald Ray Pollock, o longa conta diversas histórias que se cruzam no passar das quase 2 horas e meia de filme.

As tragédias aparecem como o elemento que une todas as tramas e a essência fatalista do filme aparece desde as mortes mais cruéis até os detalhes mais sutis. É interessante perceber o impacto da guerra, que o diretor traz nas entrelinhas. A Primeira Guerra Mundial se mostra desencadeadora de uma série de traumas na primeira geração dos Russell e a Guerra do Vietnã acompanha a sequência de desastres que marcam a segunda geração da família. A presença das guerras paralelamente aos eventos infelizes levam ao telespectador uma impressão de “rua sem saída”, ou seja, quando a guerra não é global, ela é interna.

Outro elemento que causou bastante polêmica foi a crítica à religião. O diretor explora intensamente como cada personagem se relaciona com a fé e essas relações são o motor do filme. Tanto a obsessão em Deus quanto a total descrença nele resultam na série de tragédias que marcam a trama e nos trazem um sentimento negativista em relação à uma fé ideal.

O diabo de cada dia é, definitivamente, um filme que incomoda. O telespectador aguarda, em vão, uma reviravolta positiva. Entretanto, é uma obra cinematográfica que traz questões importantes. Os atores fazem jus ao reconhecimento que possuem. Os sotaques, os olhares e os comportamentos dos personagens nos levam para o interior sombrio e pacato dos EUA na década de 60. Então, separa a pipoca e o cobertor porque esse friozinho combina com um filmão desse!

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