O “boom” da Equoterapia no Brasil

A equoterapia foi trazida para o Brasil, no final dos anos 80, pela
ANDE, Associação Nacional de Equoterapia. O objetivo principal da
equoterapia é complementar o tratamento dos praticantes, através de
exercícios com equinos, estimulando tanto o lado físico quanto psicológico.
Hoje, a ANDE, cuja sede é em Brasília, atua em todo o território nacional
como centro regularizador da equoterapia. Existem centros filiados, que
seguem todas as normas decretadas pela ANDE, e os centros agregados,
que seguem parcialmente as normas.

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Estima-se que existam, hoje, 6,5 milhões de deficientes visuais no Brasil,
2 milhões de casos de autismo, 1,4 milhão de paralisia cerebral e 300 mil de
Síndrome de Down. Esses são alguns dos principais praticantes de
equoterapia.

A Equovita é um dos 280 centros filiados da ANDE e se situa em
Jundiaí, no interior de São Paulo. O centro, que era 100% dedicado à
equoterapia, hoje possui uma agenda mais diversificada e equilibrada. O
tratamento com equinos representa 45% de seu faturamento, enquanto as
aulas de equitação são 55%. Roberto Aprigliano, proprietário e professor da
Equovita, contou que ambos os serviços oferecidos tiveram um crescimento
acentuado nos últimos anos, principalmente durante a pandemia.

Roberto explicou que a equoterapia vem ganhando mais conhecimento
entre os brasileiros desde 2018. Em 5 anos, a Equovita teve seu número de
alunos de equoterapia dobrados, totalizando 63 alunos, atualmente.
Entretanto, o distanciamento social exigido pelo novo coronavírus também
teve grande participação nesse crescimento. “A maior parte das terapias era
em sala, o que foi proibido e restrito”, disse Roberto. “A equoterapia entrou
como um contrapeso: ar livre, sem aglomeração, equipe protegida.” É
importante destacar que a equoterapia é um tratamento complementar, nunca
o principal. “O objetivo é a manutenção do que eles já tem. Nós sabíamos
que alguns poderiam não ter evolução, mas só de não ter involução já era um
ganho.”

Uma questão muito presente em qualquer serviço com equinos é o
custo. Na equoterapia, particularmente, além dos custos do cavalo, como
alimento e vacinas, também há o custo dos profissionais. De acordo com as
normas da ANDE, uma sessão de equoterapia exige o acompanhamento do
terapeuta específico (fisioterapeuta, fonoaudióloga, psicóloga etc), um auxiliar
e um guia para o cavalo. Para suprir a soma de todos esses gastos, as
mensalidades na Equovita são a partir de R$495,00.

Entretanto, existem formas de contornar essa situação financeira. “O
cidadão pode entrar na justiça”, contou Roberto. O equoterapeuta explicou
que já atendeu diversos casos em que a verba vem da prefeitura ou dos
planos de saúde, após uma decisão judicial.

Foi exatamente esse desejo de tornar a equoterapia mais acessível
que motivou a fisioterapeuta Carla Natucci a criar a ONG ABRAAHCE,
Associação Brasileira de Relacionamento Homem, Animal, Meio Ambiente e
Centro de Equoterapia.

A ABRAAHCE é uma organização sem fins lucrativos e totalmente
focada em equoterapia. “Nosso pensamento nunca foi gerar lucro, mas
precisamos sobreviver”, contou Carla. “Tem algumas pessoas que mediante
ações liminares acionaram os próprios convênios ou a prefeitura do
município, mas são poucos.”

A fisioterapeuta explicou que a ONG possui um programa de bolsas,
mas que qualquer pessoa que procure a ABRAAHCE passará por uma
entrevista, na qual os valores da terapia podem sempre ser negociados. “Nós
temos, hoje, 20% do nosso público com atendimento 100% gratuito. Foi a
forma que a gente encontrou de manter o nosso propósito.” Para priorizar o
atendimento acessível, a ABRAAHCE criou um projeto de voluntariado, no
qual os próprios integrantes da equipe realizam trabalho não remunerado,
desde o marketing até o manejo dos cavalos (cargos exclusivos para
estudantes da área ou pessoas treinadas).

Assim como a Equovita, a ABRAAHCE também teve um grande
aumento na procura por seus serviços. Carla explicou que a pandemia trouxe
uma nova categoria de clientes para a equoterapia: jovens com ansiedade ou
até mesmo depressão. A fisioterapeuta disse que, atualmente, 50% dos
praticantes são adolescentes que procuram um tratamento complementar
para questões psicológicas e emocionais. Outra parcela significativa dos
alunos é composta por crianças diagnosticadas com autismo, representando,
aproximadamente, 30% do público da ABRAAHCE.

Quanto mais reconhecimento a equoterapia recebe, mais acessível ela
se torna. Os resultados positivos do contato com equinos tem atraído cada
vez mais pessoas, com as mais diversas condições físicas e psíquicas. Para
Carla e outros equoterapeutas o objetivo é nítido: “É para que as pessoas
possam ter, realmente, a vida transformada através do cavalo.”

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