Moda sustentável e consumo compartilhado: conheça o projeto Roupateca

Qual será o “novo normal” para o mercado de moda? Podemos esperar por um mundo fashion mais sustentável, inclusivo e diverso? Se depender da Roupateca, projeto de consumo compartilhado de São Paulo, sim.

Há cinco anos, o projeto nascia como uma espécie de guarda-roupa compartilhado que funciona através de uma assinatura mensal. “Trabalhava como consultora de estilo na época, e percebi uma questão em comum no guarda roupa das clientes: muitas roupas paradas sem uso e a sensação de não ter nada pra vestir atrelada à incessante necessidade de consumir sem o menor critério”, aponta Daniela Ribeiro, uma das criadoras do Roupateca.

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Em um primeiro momento, ela, junto de sua sócia, Flavia Nestrovski, criou um bazar chamado Entre Nós. Após algumas edições, Dani entendeu que ainda faltava provocar uma nova maneira de consumo de moda nas mulheres. A ideia do projeto nasceu durante uma viagem pela Europa. “Conheci em Amsterdam um modelo de negócio que chamou atenção: uma biblioteca de roupas dos novos designers da cidade. Em menos de um mês, adaptamos a ideia para um formato de negócio que funcionasse em São Paulo”, conta ela.

Flavia e Daniela, criadoras da Roupateca (Foto: Divulgação)

O gatilho

O consumo desenfreado e a compra sem critério foram fatores que contribuíram para a criação da Roupateca, que tem como objetivo claro a moda sustentável.

“Me incomodava a compra sem critério de estilo pessoal e impulso de consumo sem questionamento, que desencadeiam num enorme volume de roupas que acabam não tendo seu ciclo de vida útil dentro de uma cadeia produtiva totalmente destrutiva”, destaca Daniela.

Como funciona?

Para participar da Roupateca, é preciso escolher um dos planos mensais do serviço: Plano P, em que você pode pegar uma peça de cada vez (R$ 160/mês); Plano M, em que é possível pegar três peças de cada vez (R$ 320/mês); e Plano G, 5 peças de cada vez (R$ 480).

Escolhendo as roupas, você pode ficar até um mês com a seleção ou, se preferir, organizar a sua troca de 15 em 15 dias. O guarda-roupa da Roupateca conta com mais de 1500 peças.

“Novo normal” da moda?

Durante a pandemia do novo coronavírus, parte dos consumidores redescobriram gostos, estilos e aderiram a uma nova maneira de consumir moda. Na Roupateca, percebeu-se uma maior atenção a produtores locais e, com relação a roupas, uma tendência por peças mais confortáveis. Mas será que isso fica em um mundo pós-covid?

“Teremos mais pessoas abertas a entender seu papel de consumidoras. Sentimos as pessoas mais engajadas e abertas e experimentar novas formas de consumir, assim como mais confortáveis com o consumo on-line”, conta a empresária.

Apesar de estar ganhando mais espaço, a moda sustentável e com propósito ainda enfrenta grandes desafios dentro de um sistema capitalista. Entretanto, segundo Daniela, “a covid nos apresentou a realidade de pessoas mais conscientes de seus papéis e interessadas em quebrar padrões que consideravam saudáveis dentro da lógica de consumo convencional”.

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