Medalha de ouro para as mulheres do esporte

O fato de ainda existir muito conservadorismo e machismo no esporte não é novidade, mas uma polêmica específica surpreendeu o mundo e trouxe em pauta um tema muito importante: a sexualização do corpo feminino. Em julho, duas equipes femininas se destacaram ao quebrar regras de vestimenta e usarem roupas que se sentissem mais confortáveis. 

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A equipe norueguesa de handebol na praia decidiu deixar os biquínis de lado e optou por tops e shorts, durante o campeonato europeu. O resultado foi uma multa de 1,5 mil euros (cerca de R$ 9,2 mil). “Vamos continuar a lutar, juntos, para mudar as regras de vestuário, para que os atletas possam jogar com as roupas com as quais se sentem confortáveis”, declarou a Federação Norueguesa de Handebol sobre a situação. 

A repercussão foi grande e muitos nomes importantes do esporte se manifestaram contra a multa aplicada na equipe norueguesa. O ministro da Cultura e do Esporte do país, Abid Raja, publicou em seu Twitter: “É completamente ridículo — uma mudança de atitude é necessária na comunidade esportiva internacional machista e conservadora”. A revolta foi tanta que até a cantora Pink se ofereceu para pagar a multa.

“A escolha é minha”

Infelizmente, o que aconteceu com as atletas norueguesas não foi um caso único. As ginastas alemãs passaram por uma situação muito similar nas Olimpíadas de Tóquio. Durante a etapa de qualificação, a equipe feminina se apresentou com macacões que cobriam as pernas. O ato de protesto faz parte de um movimento que vem acontecendo na Europa chamado #ItsMyChoice (a escolha é minha, em português). 

A ginasta Sarah Voss foi a pioneira no movimento e se manifestou em suas redes sociais: “Foi particularmente importante para nós dar o exemplo com a nossa aparência para encorajar outras mulheres e especialmente as atletas mais jovens a usar o que elas se sentem mais confortáveis!”. 

Não foi uma, nem duas, nem três vezes… A sexualização já á padrão!

Outros casos também ganharam notoriedade nos últimos anos, como o macacão usado por Serena Williams após retornar da licença maternidade A tenista dedicou o uniforme a “todas as mães que tiveram uma gravidez difícil” e explicou que ele ajudava em problemas de circulação sanguínea, que ela enfrentava na época.

Reprodução Instagram

As ginastas alemãs não foram as primeiras a trazer essa pauta para os jogos olímpicos. Nas Olimpíadas do Rio, em 2016, a escolha da jogadora egípcia de vôlei Doaa Elghobashy de jogar com seu hijab chamou a atenção da mídia e do público. “Uso o hijab há 10 anos… E isso não me afasta das coisas que adoro fazer, e o vôlei de praia é uma delas”, ela disse. 

Reprodução Instagram

Não podemos deixar de exaltar todas as conquistas das mulheres no esporte. As Olimpíadas de Tóquio tiveram a maior participação feminina da história. Entretanto, algumas questões, como a sexualização dos uniformes, são normalizadas. Por isso, os protestos de cada atleta são essenciais para que o esporte caminhe cada vez mais em direção à igualdade e ao respeito.

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