Mc Soffia: “Tudo o que eu quiser ser, eu vou conseguir”

A cantora Mc Soffia, de apenas 16 anos, carrega com si a vontade de lutar por representatividade e transformar a sua paixão pelo hip-hop em opinião forte e um grito por tantas outras garotas negras espalhadas pelo país. O seu primeiro rap veio quando ela tinha 10 anos e se tornou um sucesso na internet – tanto que ela marcou presença na lista das mulheres mais inspiradoras da BBC gringa. Uau!

“Na época da minha mãe não existiam muitas referências, então eu acho muito bom quando adultos também se identificam com a mensagem que quero passar”, contou ela.

A artista sentiu a necessidade de falar sobre temas como racismo e representatividade desde cedo. Em casa, ela já aprendia sobre esses assuntos com sua mãe, Kamilah Pimentel, então passar essas opiniões para as letras de rap foi natural e ela vê como algo importante de sua carreira.

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Através de suas letras e atitudes, Soffia também batalha para que as mulheres sejam cada vez mais referência na sociedade. “Ser mulher é ser forte”, se orgulha.

Leia abaixo a entrevista completa com ela:

DOMÍNIO: Você é tão jovem e já canta sobre temas tão importantes. Como você percebeu essa necessidade?
Mc Soffia:
Senti a necessidade quando eu percebi que não me via representada. Eu não tinha a representatividade pra falar sobre esses temas. Eu não via meninas da minha idade cantando e debatendo esses assuntos. Todas as idades lidam com o racismo e temas que eu falo nas minhas letras. Eu, com minha idade, falando sobre isso, posso inspirar outras meninas a fazerem o mesmo, além de se aceitarem mais.

Suas músicas já serviram até como base de ensino nas escolas públicas. Como você se sente causando tanto impacto?
Me sinto muito feliz. Afinal, a escola é um lugar em que as crianças e adolescentes passam a vida inteira. Aquele aluno precisa ter a orientação de como ele pode lidar com o racismo e sua cor nessas instituições. Aquela menina precisa saber que ela pode criar a sua boneca do jeito que ela bem entender. Eu acho que toda escola tem que ter esse papel. Eu ficaria muito feliz se mais escolas usassem os temas que eu canto. Hoje em dia, várias crianças que estudam nas periferias já me dizem que os professores mostraram minhas músicas. Fico muito lisonjeada.

Nos conte como o rap entrou na sua vida.
Foi em um momento muito especial. Eu tinha 6 anos de idade quando fiz uma oficina chamada “O Futuro do Hip-Hop”. Eu ia em rodas de rap, em manifestações com o pessoal do rap… Sou muito grata porque foi nesse momento que eu comecei a desenvolver o conhecimento sobre essa arte e decidi ser artista.

A representatividade tem ficado cada vez maior nos últimos anos, mas você acredita que sua geração ainda sofre com a falta de representação na música, TV e cinema?
Conforme vão passando as gerações, vão surgindo mais artistas adeptos do movimento. Na época da minha mãe, por exemplo, não havia tanta representatividade como agora. Acredito que quando minha irmã que tem 3 anos tiver a minha idade vão existir ainda mais referências. Hoje eu vejo muitas pessoas pretas cantando no mundo da arte, mas ainda é muito minoria. Se somos a maioria na população, porém a minoria em cargos de poder, então, sim, está faltando mais representatividade. Por exemplo: eu assisto um dia inteiro de televisão e vejo, no máximo, uma ou duas pessoas pretas. Então, eu entro na Netflix, por exemplo, exclusivamente pra ver filmes com negros protagonistas e isso porque nós gostamos de nos ver representados. Quando vemos atores e atrizes pretos brilhando, vemos que podemos chegar a esse patamar também.

Sobre a quarentena, o que fez para minimizar os danos de estar em isolamento?
Estou criando bastante conteúdo, escrevendo músicas… Eu não deixo a inspiração passar, assim que vem alguma ideia de letra eu já componho. Além disso, estou passando esse tempo próxima da minha família. Nesses tempos é importante termos em mente que tem gente que está passando necessidade, mulheres estão apanhando dentro de casa enquanto estão em isolamento… Não é porque você está dentro de uma mansão que deve pensar a pandemia passou porque não passou.

Qual é a maior lição que você tira desse momento?
A maior lição é que precisamos nos manter bem, cuidar da saúde mental e cultivar a empatia e amor ao próximo. Aprendemos que, por mais que não somos grupo de risco, precisamos nos cuidar para não sermos transmissores dessa doença. É um bom exercício de consciência e empatia.

Como tem feito para cuidar da saúde mental no meio dessa pandemia?
Eu trabalho, leio muito e ocupo minha mente para não ficar ansiosa. É o tempo de a gente aprender, estudar e focar em realizar seus sonhos: se você quer ser cantor, comece a fazer seus vídeos; quer ser desenhista? Ponha isso em prática também. Ocupe sua mente nesse momento para colher quando sairmos dessa pandemia.

Pra você, qual é a melhor parte de ser mulher?
Pra mim não existe melhor parte em ser mulher, porque ambos os gêneros podem chegar onde quiserem. Acho que a melhor parte em ser uma mulher é criada por cada uma de nós. O que você, como mulher, quer pra você? Cada uma tem o seu modo de pensar diferente, então não dá pra falar em uma coisa só.

Qual foi o conselho mais incrível que você já recebeu de outra mulher?
Tudo o que eu quiser ser, eu vou conseguir e eu posso. Com muito esforço, muita batalha, mas sei que vou conseguir. Esse foi o melhor conselho que recebi porque me inspirou e motivou muito a alcançar meu objetivo de ser cantora, por exemplo.

De onde vêm as suas maiores referências do feminismo?
Djamila Ribeiro e eu mesma.

Quais mulheres na música mais te inspiram?
Beyoncé, Rihanna, Normani, Lizzo, Teyana Taylor, Alicia Keys, Iza, Ludmilla e eu mesma, Mc Soffia. Eu ouço também muito Flora Matos, Karol com K, Mc Rebecca… Acho que todas elas são muito importantes.

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