Lockdown e saudades da família: como a pandemia do coronavírus afetou o meu intercâmbio

Meses de planejamento e expectativa, investimentos financeiros e emocionais… Tudo destruído pela chegada do novo coronavírus. Essa é a triste realidade de jovens no Brasil e no mundo todo que tiveram seus intercâmbios chocados com a decretação da pandemia, em março de 2020.

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Fomos atrás de alguns desses estudantes que tiveram os planos cancelados – ou pelo menos adiados. Vem ver:

Intercâmbio no epicentro

A Itália preocupou o mundo todo com os altíssimos níveis de óbitos entre os meses de março e abril. Hoje, o país registra um total de um pouco mais de 35 mil mortes por coronavírus. A Beatriz Cripa, aluna da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, tinha chegado em Roma há apenas um mês quando o país entrou em lockdown. Ela contou que outros intercambistas voltaram para seus países de origem, mas ela estava decidida a permanecer. Depois de 2 meses de isolamento total, a Itália passou pelas fases de reabertura. “Hoje minha vida aqui é normal”, disse ela.

Beatriz em seu intercâmbio na Itália

O período de isolamento não é fácil para ninguém e se torna ainda mais complicado para os jovens que estão longe de suas famílias e amigos em um outro país. Por isso, a decisão da Beatriz foi uma exceção.

A volta para o Brasil

Muitos intercambistas tentaram marcar voos com urgência para voltar para o Brasil e alguns até chegaram a recorrer o Itamaraty, órgão público responsável pelas relações internacionais. Bruna Lucena estava estudando na Universidade Central da Flórida, nos Estados Unidos, desde agosto de 2019 e iria retornar para o Brasil apenas em junho de 2020.

Bruna no dia da despedida com seus amigos na Flórida

Na segunda semana de março, Bruna recebeu uma ligação de seus pais com uma notícia que tirou seu chão. “Em questão de três dias eu tinha que desmontar meu apartamento e voltar pra casa. Foi muito difícil porque o intercâmbio era um sonho para mim”, Bruna contou. Ela disse que os dias seguintes foram muito tensos. Todo dia algum intercambista ia embora, toda noite era uma despedida diferente.

A chegada ao Brasil também não foi nada fácil. Após horas em um avião, correndo altos riscos de contágio, Bruna chegou no Rio de Janeiro no meio de um “turbilhão de emoções”. O retorno que deveria ter sido em clima de festa foi acompanhado com muita preocupação. “A maioria dos meus amigos e família eu não vejo há seis meses ou até um ano”, disse a estudante de design.

Rola fazer aula online?

Além de todos as barreiras emocionais envolvidas na interrupção de um momento tão importante, os intercambistas também tiveram que lidar com as dificuldades geográficas e acadêmicas. Universidades do mundo todo transferiram suas aulas para o modo remoto. Entretanto, enquanto uma prova está acontecendo às 8h da manhã na Europa, aqui no Brasil são 3h da madrugada.

No caso de Bruna, o problema maior não foi o fuso horário, já que a diferença entre a Flórida e o Rio de Janeiro é de apenas 1 hora, mas sim as aulas remotas em si. Uma de suas matérias favoritas que estava cursando durante o intercâmbio era “cerâmica”. Já podemos imaginar que cerâmica online não dá muito certo, né!?

Lidando com os novos desafios

Beatriz, na Itália, vêm enfrentando outros desafios, como a saudades de sua família, principalmente agora que ela prolongou seu intercâmbio por um ano. Entretanto, ela tem uma visão positiva de toda a situação. “Óbvio que não foi a experiência de intercâmbio que eu imaginei, mas não posso falar que foi ruim”, disse a estudante.

Ela destacou o impacto que o isolamento teve em suas amizades. Os jovens intercambistas se apoiaram uns aos outros para passar por esse momento tão delicado e inesperado.

Atualmente, a Itália vêm mostrando números bastante controlados em relação à pandemia. Entretanto, mesmo que o país esteja reabrindo, poucas pessoas têm a ousadia de viajar a turismo. O resultado? Beatriz está tendo uma oportunidade única de conhecer os pontos turísticos mais importantes do país, como o Coliseu e a Fontana de Trevi SEM FILA!

Entretanto, a estudante vê a pandemia como muito mais que um ticket exclusivo para lazer. “Não importa quantos museus ou quantos cursos eu tenho se eu não tenho o mínimo de noção de humanidade, comunidade e solidariedade”, ela contou.

Beatriz, assim como muitos outros jovens, aproveitou a quarentena para fazer uma reflexão pessoal. “O jeito que eu estava levando minha vida, era muito no automático. Eu acho que São Paulo faz isso com as pessoas”, ela disse.

Bom, se antes as cidades grandes eram baseadas em correria e ações automáticas, hoje todo cuidado e calma é pouco. “No início foi muito estranho ver todo mundo de máscara, é muito pesada essa nova realidade”, disse Bruna sobre a situação do Brasil quando ela retornou, no fim de Março.

No meio de tanto isolamento e preocupação, ficam as memórias de uma experiência tão maravilhosa e os planos para quando tudo passar. “Foi uma experiência incrível e eu viveria tudo de novo. E quero viver outras coisas similares”, contou Bruna. “Quem sabe uma pós graduação no exterior.”

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