Heslaine Vieria sobre luta antirracista: “Mais do que palavras, precisamos de atitudes fortes e contínuas”

Fotos: Carol Biazotto e João Frazão
Beleza: Fairuze Reis
Stylist: Layana Aguilar

No último mês, debates sobre questões raciais ganharam ainda mais força ao redor do mundo por conta da morte de George Floyd, um homem negro assassinado por um policial branco nos Estados Unidos. Atualmente brilhando na Rede Globo, Heslaine Vieira, de Malhação: Viva a Diferença, precisa mais do que palavras. Precisamos de ação.

“Precisamos parar de apenas surfar uma onda, mas seguir o fluxo necessário que não acaba em um mês! Essas são questões urgentes faz muito tempo”, conta ela em entrevista ao DOMÍNIO POP.

Em Malhação, Heslaine interpreta Ellen, uma jovem que mostra na ficção algo vivido pela população negra fora da telinha: uma rotina de superação e luta contra o preconceito. “É uma honra pra mim nesse momento poder estar representando essas meninas/mulheres! Tudo que queremos é protagonismo e representatividade para todos.”

O começo

Mineira de Ipatinga e irmã do ator Land Vieira, Heslaine começou sua carreira em 2006 no seriado Filhos do Carnaval, da HBO. Esteve presente no seriado Pedro e Bianca, onde foi a protagonista Bianca. Na bagagem? Dois prêmios Emmys e um Prix Jeunesse, por Malhação e por Pedro e Bianca, ambas criações de Cao Hamburguer.

A atriz também já marcou presença nas telonas tendo atuado em A Busca e Meus 15 Anos: O Filme, onde interpretou Diana.

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Os próximos passos de Heslaine já apontam para ainda mais reconhecimento de seu talento na TV. Ela conta tudinho pra gente aqui. Leia:

DOMÍNIO POP: A temporada Viva a diferença voltou a ser exibida na TV agora. Como é se olhar novamente na TV?
Heslaine Vieira: Sempre gera expectativas e novos apontamentos, porque como atorxs, evoluímos profissionalmente, mas por outro lado é muito orgulho ver como essa história se fez presente na vida das pessoas. Esse é meu maior presente! A Ellen foi um divisor de águas na minha carreira e sou muito grata por poder vivenciar essa história novamente com ela.

DP: Como você acha que a Ellen impactou os fãs da novela?
H: Essa é uma pergunta difícil de responder. Eu acredito que a presença de personagens como a Ellen, o Anderson, Fio, é, além de tudo, representatividade e protagonismo numa novela que fala sobre jovens. Nós vivemos por muito tempo não nos reconhecendo e sobretudo consumindo padrões na juventude. A identificação é de muita importância, nessa fase especialmente. Em relação a cultura, cabelo, atitudes e sonhos. Onde nos espelhamos. Fico grata por esses personagens estarem presentes nessa trama tão potente que fala de diversidade e amor.

DP: O contato com a galera da novela continua?
H: Continua. Fiz amigos pra vida toda! Viva a diferença é um presente, e a família Rodrigues, por exemplo, permanece na vida real, assim como as Five e outros amigos que fiz.

DP: O que mudou na Heslaine de lá pra cá?
H: Morar sozinha me fez mudar bastante. Da novela pra cá percebo que amadureci em diversos aspectos – inclusive profissionalmente! Gratidão a cada passo da busca em direção a evolução pessoal e profissional!

DP: Conta um pouco pra gente da sua personagem em Nos Tempos do Imperador.
H: A Zayla, assim como a Ellen, vai ser um marco na minha carreira. Ela vai me conectar com um lado diferente das personagens que interpretei até agora. Seja no cinema ou na tv. Ela tem nuances que ainda estou descobrindo no processo de conhecê-la melhor. Zayla luta absoluta e fortemente pelo que quer, tem garra e um sorriso encantador. Limite é uma palavra em descoberta. Ela vai dar trabalho! Rs

DP: Mocinha ou vilã: qual é o papel mais desafiador?
H: Ainda não sei responder! Rs! Mas acredito que cada uma tenha seus desafios. Vamos ver quando eu começar a gravar. A Zayla já esta sendo um grande desafio para mim. A personalidade e as escolhas dela divergem um pouco da Heslaine. Confesso que estou muito animada com esse novo projeto e ansiosa.

DP: No último mês, vimos as redes sociais serem tomadas por protestos antirracistas. O que você acha que deve ser feito para essas manifestações saírem do virtual e surtirem efeito na vida real?
H: Esse mês já está se falando pouco, de novo, e infelizmente. Precisamos parar de apenas surfar uma onda, mas seguir o fluxo necessário que não acaba em um mês. Essas são questões urgentes faz muito tempo. Mais do que palavras precisamos de atitudes fortes e contínuas e de aliadxs comprometidos! A corrente não pode ser quebrada, e o processo começa dentro da gente!

DP: Como é pra você estar em um papel de destaque e influenciar tantas garotas negras?
H: É uma grande responsabilidade, sem dúvida. Mas por outro lado, é uma honra pra mim nesse momento poder estar representando essas meninas/mulheres! Tudo que queremos é protagonismo e representatividade para todos! E agora tendo essa oportunidade, valorizo e estudo muito para seguir honrando grandes mulheres guerreiras que vieram antes de mim, e de todxs nós.

DP: Sobre a quarentena, o que fez para minimizar os danos de estar em isolamento?
H: Manter minha mente e corpo saudável tem sido minha maior tarefa. Meditação, exercícios, cuidar das minhas plantinhas e estudar bastante têm ocupado meu tempo. Também tenho falado com as pessoas nas redes sociais, família e amigos próximos para criar entre todos nós uma rede de apoio. Não é um momento fácil, muito pelo contrário. E para minimizar de alguma forma tenho tentado aprender novas habilidades e estar perto de quem amo. Além de tudo isso, tenho conseguido um tempinho para tentar virar uma boa cozinheira, de comida saudável a um belo hambúrguer!

DP: Qual é a maior lição que você tira desse momento?
H: Empatia vai além das palavras. É um momento de exercitar o olhar para o outro e para dentro de si. As atitudes falam mais.

“Precisamos estar verdadeiramente unidos para minimizar tantos danos. Olhar para além do próprio umbigo.”

DP: Como tem feito para cuidar da saúde mental no meio dessa pandemia
H: Manter uma rotina minimamente, tem me ajudado bastante. Exercício físico, cuidar das plantas e trabalhar de casa! A meditação tem acalmado meu coração quando entra em turbulência, e o yoga de principiante! Além da nova paixão pela culinária. Por último e não menos importante, manter contato com a família e amigos próximos ajuda a matar a saudade e diminuir a sensação de solidão!

DP: Sobre beleza, conta pra gente algum cuidado mara com o cabelo que você tem. Aprendeu algum truque durante a quarentena?
H: Rs. Eu faço hidratação pelo menos duas vezes por semana e o segredo é umectação noturna. Pode fazer com óleo de coco ou azeite, o que você tiver em casa, depois lavando pela manhã e retirando bem os resíduos. Meu cabelo tem agradecido esses cuidados especiais!

DP: Quais mulheres na TV mais te inspiram?
H: Taís Araújo, Ruth de Souza, Lucy Ramos, Dani Ornelas e Oli Araújo! Poderia citar muitas outras mulheres em quem me espelho. Elas são uma grande referência pra mim! A começar pela nossa rainha, dona Ruth de Souza!

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