Giovana Cordeiro e o orgulho de ser ela mesma

Em 2020, a atriz Giovana Cordeiro abraçou um lado seu que a deixou ainda mais confiante – and maravilhosa – nos dias de hoje. Depois de passar anos alisando o cabelo, Gi passou por uma transição capilar e hoje assume um cacheado perfeito. “Eu sinto que fomos levadas a alisar o cabelo sem questionar e sem pensar no quanto seria ruim para a nossa autoestima, para as nossas crianças e para nossa cultura mesmo”, conta ela ao DOMÍNIO POP.

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Em 2021, ela estrelou um dos filmes nacionais de maior sucesso na Netflix, Carnaval, e já tem um papel engatilhado para 2022: Giovana foi escalada para atuar no remake da novela Pantanal, prevista para estrear no ano que vem. Tudo fruto de um talento e carisma que a gente amou ter por aqui na nossa capa de setembro. Role a página e leia a entrevista completinha com a Gi:

Como foi receber o convite para estrelar um filme da Netflix?

Primeiro eu fiz teste. Então foram várias e vários momentos de expectativa. Em um primeiro momento você faz um teste para um projeto que você não sabe qual é, a gente recebe uma sinopse bem curta do que vai ser, mas para personagem tal. Isso no selfie tape no telefone. Ai eu fui chamada para fazer o teste presencial, aí no teste presencial tinham outras atrizes, a Sâmia eu conheci esse dia que faz a Vivi, e a gente ficar intercalando cada uma fazia numa passagem da cena, e uma personagem diferente. Então meio que estava sendo testada para ir para um ou dois personagens. E aí eu quis muito. Nesse momento eu já estava, caramba já estava entendendo mais o projeto já. O teste foi com o Leandro que é o diretor e ele falou sobre o que seria, falou que seria sobre o carnaval, dentro do carnaval, então tudo isso foi criando uma expectativa.  Ai eu falei: Quero muito participar desse projeto!
 Aí logo depois eu recebi a notícia que eu tinha passado no teste. Fiquei muito feliz, eu estava fazendo peça lá em São Paulo eu lembro de ter corrido o teatro inteiro falando:  Eu vou fazer minha primeira protagonista no cinema !  Todo mundo comemorando comigo. E aí foi essa alegria. E aí depois o processo de preparação começou e enfim acho que já pula para outra parte.

Você pode contar pra gente qual foi a cena mais difícil de fazer no filme?

 Deixa eu pensar… difícil de dificuldade. Tinha a cena do camarote que a gente gravou dentro do camarote com o carnaval acontecendo, pessoas dentro do camarote. O trio elétrico passando, mas a gente já chegou nesse neste dia de gravação muito alinhado com o que seria, mas muito incerto. Qualquer coisa podia acontecer. Mas aí eu acho que em um todo de dinâmica da produção essa foi a cena mais difícil para o filme. Agora para mim, eu acho que como atriz a gente sempre tem uma cena que a gente dá uma, por exemplo, a primeira cena que é a cena da cartomante…Ficava na minha cabeça meu Deus, é primeira cena do filme. Será que vai ficar boa, e depois o filme inteiro conta uma história. Mas essa foi uma cena que eu pensei bastante. A cena do final da Live que a gente gravou na praia falando para as amigas, pedindo desculpa. Era uma cena que eu trabalhei com bastante carinho assim, porque era um fechamento da história. E mas essas de muvuca de carnaval, a gente gravou em cima do trio elétrico, a gente gravou com um bando de gente pulando no meio da gente. Então foi uma aventura.

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E como foi interpretar uma influencer num filme de comédia. Você ficou com algum medo de sentir algum ataque na internet por conta disso?

 Não pensei tanto nisso. Eu acho que os caminhos da Nina no roteiro eram bem seguros nesse sentido, a gente podia conversar muito sobre o que a gente achava da abordagem daquele tema, e o que que a gente gostaria de contribuir também. Nisso eu fiquei bem tranquila. Eu acho que tem uma preocupação geral assim quando a gente conhece o elenco e se propõe a contar uma história juntos, de achar um tom e uma sintonia nossa. Eu acho que a gente foi bem feliz pelo resultado do filme uma das coisas que eu mais gosto no filme é sintonia e energia entre o elenco, e isso era uma coisa que não me preocupava no bom sentido. E ela ser do jeitinho dela, com boas coisas que o diretor me falava e também sobre ela sobre o tom, é  muito doido isso até a gente chegar no set. A gente tem uma imagem, a gente tem um estudo, a gente tem as cartas na manga sobre a personagem. Mas é ali no primeiro gravando que a gente realmente entende que o que vamos fazer, porque foi justamente isso assim, com as câmeras vendo o resultado, entendendo que o diretor estava falando, ele me pedindo mais ou menos no tom assim, que a gente fala da personagem. Eu fui descobrindo a Nina, mas é isso porque eu queria que fosse incrível  e ao mesmo tempo e leve. Que ela fosse cheia de dos erros ali pelo caminho que você fala: “Putz que mancada” mas defende-la uma forma leve, que acaba que ela não tem uma motivação ruim para fazer aquilo. Ela só está olhando para o caminho errado, mas esse foi maior desafio com a Nina. Eu acho que é um junção, a gente vai acrescentando os ingredientes e um pouco da leveza, da comédia, do erro, de tudo. AI junta tudo e fica aquele resultado.

 Você tem alguma história engraçada sobre carnaval pra contar pra gente?

 Cara tem várias histórias de Carnaval, mas eu tenho uma que sempre conto ela pela metade. Ela é bem tensa.
Eu fui no carnaval (vamos ver se eu vou chegar até o final com coragem de contar ela inteira). Mas eu bem nova com a minha família, sempre fui para o carnaval com a minha mãe e com as minhas irmãs porque a gente gostar muito, e aí é um dia atrás do outro, a gente sai cedo, come na rua, volta só de noite e não para.  Todos os dias de Carnaval nesse Pique. Aí uma vez me deu fome no final do dia, e eu fui comer um cachorro quente que estava ali na praia de Ipanema, que já devia estar o dia inteiro né. Combina com horários de cachorro quente. Voltei para casa dormir acordei no dia seguinte e fomos carnaval de novo. No meio do bloco eu falei: “Gente eu acho que não to muito legal não!” Mas eu devia ter uns 13, 14, 15 anos. Falei: “Mãe acho que não estou muito legal não.” Mas vamos indo né, todo mundo achando legal, curtindo. Mas dá para continuar. Foi o dia inteiro me dando umas sensações, um calafrio uma sensação esquisita, e eu sabia que não tava legal. No final do dia ainda estava no bloco conversando com uns amigos com o pessoal que estava ali com a gente. De repente seguro na minha amiga e desmaiei no meio do bloco. Eu acordei no colo de um amigo da minha irmã e uma amiga minha do lado. Você pode imaginar, que o que entrou quis sair, ali na situação no colo da pessoa.  Eu falei: “Gente não acredito que está acontecendo!” Fui para o hospital tomar soro e as pessoas olhando para nosso estado. As pessoas pensando que era bebida, mas era o cachorro quente.
Esse foi o mico da vida. Mas a gente ri hoje em dia quando eu falo com as minhas irmãs.  E elas sempre falam história e nunca contei do detalhe que eu quis sair e elas ficam. Tá faltando detalhe nessa história. Meu maior perrengue menina.

Quais são suas expectativas para o próximo carnaval pós pandemia?

Ai eu espero muito que a gente se divirta da forma que a gente sempre se divertiu, talvez com mais vontade de viver. Eu acho que a pessoa que era discreta no carnaval  vai querer se fantasiar. Eu acho que vai todo mundo ter muita vontade de se expressar e passar purpurina, de dançar cantar e se abraçar. Eu espero que seja muito assim, e espero que seja logo. Seja realmente em 2022. E com respeito e alegria todo mundo brincando junto. Tá na hora acho que a gente está sentindo falta, às vezes as pessoas falam que a gente vai estranhar. Estou estranhando agora, eu quero mais é abraçar na primeira oportunidade que eu tiver. Vou sair correndo me abraçar todo mundo. Tomara que isso seja em 2022.

Falando em pandemia, como aquela afetou a rotina profissional?

 Ela afetou completamente primeiro porque a  gente estava gravando o filme lá em Salvador. Aí quando a gente voltou pro Rio teve a pandemia decretada. Então a gente ainda tinha quatro diárias de filmagem e a gente presou parar, isso em março. E aí como a gente estava achando que ia ser breve, a gente precisou entender todo esse processo de protocolo, que era esse vírus. Como é que ia ser a retomada. O que levou muito tempo para finalizar essas quatro diárias que eu falei, e a gente voltou em setembro quando as coisas estavam começando a voltar todos os protocolos.
A gente brincava que a gente saiu de um filme sobre carnaval e fo ifazer um filme de ficção científica porque era teste para entrar, trocava mascara, álcool gel, faceshield, roupa de proteção, todo mundo com proteção, e a gente não podia ficar muito próximo. Então isso foi algo muito estranho para um filme sobre o Carnaval, no verão todo mundo muito íntimo e muito amigo, e ai teve essa pausa e voltamos dessa forma. Então rolou esse momento pra esse trabalho e de uma forma geral. Todos os outros projetos eu estou pra fazer, um filme também sobre a vida do Sidney Magal ( Meu sangue ferve por você).

E a gente está aí esperando o momento mais seguro de fazer o filme pra não colocar ninguém da equipe em risco. E ao mesmo tempo a produção do filme precisou parar pra entender financeiramente, porque a gente não tem ideia de como aumentar o preço de uma produção cinematográfica e tudo fica mais devagar porque não pode ter tanto contato físico. Então foi dessa forma. E aí eu estou com saudade de atuar. Agora a gente já começa a fazer um projeto pequeno com poucas pessoas com todo mundo testado. Estou sentindo que o mercado está retomando aos poucos também. Acho que agora a vacina está dando uma esperança para todo mundo. Estão todos mais esperançosos assim, até o final do ano a gente já volta até o final. Então vamos contar com isso.

Falando um pouco sobre o seu próximo filme “Meu Sangue ferve por você” como está sendo a preparação para viver sua personagem e o que você pode adiantar  pra gente.

A Magali que é o nome da minha personagem. Trouxe muita coisa nova para minha vida e ainda bem que eu a tinha para trabalhar nesse momento da pandemia.
Eu já foi muito rápido no processo já pausei e já fiz aula todo dia. Estou fazendo aula de canto de dança e preparando para o filme na interpretação também, o filme é um musical então isso está sendo bem novo. Nunca fiz um trabalho envolvendo isso por mais que eu goste e tenha feito tanto canto quanto a dança. Trabalhar isso vinculado à atuação está sendo incrível. E eu falo que ela me salvou na pandemia porque eu tive esse estímulo, de estar fazendo uma coisa diferente, de começar uma coisa diferente e poder encontrar mesmo que pelo zoom em nossos ensaios. Era um misto de “meu Deus que triste” mas ao mesmo tempo “que bom que eu tenho a oportunidade de continuar trabalhando assim.”
Deixa eu ver o que eu posso dar de Spoiler… O filme vai ser uma alegria só. Muita música e eu estou muito curiosa para ver essa estética singular dessa coisa latina de Sidney Magal com um cenário da Bahia que Magali e soteropolitana. Então estou eu lá de novo na Bahia. Estou curiosa para ver como é que vai ser essa mistura essa brasilidade toda.

Como que é essa parceria com José Loreto seu parceiro de cena nesse próximo filme?

 Cara a gente está a maior tempão sem se encontrar para fazer uma leitura, acho que agora a gente vai retomar. Mas a gente conseguiu fazer bastante coisa que pelo zoom, pessoalmente foi pouco. Já foi muito gostoso, muito divertido, o Zé muito é muito amigo, muito parceiro. Eu acho que a gente vai se desinibido também né, porque imagina o nosso trabalho já é uma exposição, e ainda entra isso canto. E a gente se conhecendo nesse trabalho e ter um parceiro que torna esse ambiente mais tranquilo para a gente errar, pra gente arriscar, pra gente dançar, cantar, desafinar. Ter esse parceiro em cena é bem gostoso. Mas estou com saudade de voltar para os nossos ensaios.

 Mudando completamente de assunto agora você pode nos contar um pouco sobre a sua transição capilar. Foi difícil tomar essa decisão.

Cara eu costumo dizer que sempre que eu ia no salão alisar (que eu fiz progressiva por quatro anos) uma progressiva que tinha muito formol e era uma situação bem clandestina de ir para o salão. Ela era a parte de cima de um salão e ninguém podia saber, você tinha que tocar o interfone para a pessoa abrir. Tinha uma história assim, porque usava o mais formol que o permitido e todo mundo sabia.
Todo mundo sabia que fazia mal tanto para o cabelo, quanto para o nosso organismo. Mas não queríamos saber, o negócio era estar com o cabelo alisado e quanto mais formol. mais liso, então vamos lá.  Eu fazia menina, com um papel ou uma toalha úmida no rosto e de olhos fechados para conseguir respirar, e aquele negócio ardia muito.
E aí fiquei imersa por quatro anos. Toda vez que eu ia alisar o cabelo estava voltando a cacheado (no início), porque depois ele não volto com tanta facilidade. Eu ficava “ai aliso ou não aliso” porque eu costumo dizer eu não desgostava do meu cabelo, nunca achei que ele fosse um cabelo feio. Eu só achava que dava trabalho e que o liso era mais bonito, mais fácil de ser aceito, mais fácil de acordar e ir para a escola, ou ir para a praia e estar sempre com ele arrumado e sempre com ele bonito né, então foi isso que me levou. E também não saber ter os cuidados necessários para estar com meu cabelo definido bonito, e estava todo mundo alisando o cabelo e fui alisar o meu cabelo também.
 Quando eu decidi parar e fazer a transição foi porque não fazia mais sentido sabe. Eu conversava com outras pessoas que tinham cabelo cacheado, e todo mundo quando falava eu dizia: – meu cabelo cacheado também. Só que eu já nem lembrava mais como era ele cacheado, de tanto que eu alisava. Eu nem sabia mais como ele ficaria de seu deixasse de alisar. Ai eu pensava “porque não, por que eu to alisando? Não foi uma não foi uma decisão muito emponderada consciente de que era uma transição, nem chamava isso. Ai eu arei de fazer a progressiva, fiquei três anos até ver o meu cabelo dessa forma que ele está hoje. Até porque tem o momento da transição que a gente só continua alisando com escova em casa, fazendo chapinha.   
Mas foi importante também, eu falo que a transição é muito inspiradora. Até para outros aspectos das nossas vidas porque a gente se vê desafiada a romper padrões tanto sociais, quanto nossos mesmo de como a gente se enxerga. E como a gente se sente confiante em determinadas situações. Porque às vezes a gente não está mas é necessário estar, então de que forma isso pode construir e dar mais força pra gente, construir nossa personalidade, nossa identidade.
Se olhar no espelho e reconhecer sentir orgulho. E mesmo que queira mudar saber que é uma decisão sua!  
Eu sinto que fomos levadas a alisar o cabelo sem questionar e sem pensar no quanto seria ruim para a nossa autoestima, para as nossas crianças e para nossa cultura mesmo, de apagar isso. E acho que a gente retoma isso hoje em dia com mais com mais empoderamento de um todo né.
Então por isso que eu gosto de falar da transição, e as pessoas falam “Você pensou em desistir, foi muito difícil para você? “Eu era muito desencanada na época, então eu não pensei em desistir. Era um pensamento que até poderia vir, mas aí eu fazia uma chapinha, uma escova e continuava. Buscar referências nessa fase também me ajudou muito a continuar, porque você tem uma uma atriz, uma personagem, uma cantora um comercial, alguém com cabelo igual ao seu e te dá forças para continuar mesmo. Literalmente.
Eu via a Débora Nascimento dando entrevista sobre como ela cuidava do cabelo dela, ( Meu Deus, leave in o que é isso, preciso procurar, tenho que  começar a usar porque a  Débora  ta usando o cabelo dela). Foi assim que eu descobri o que era Leave in. Então a importância da representatividade também é essencial nesse momento. E é isso, depois que eu assumi o cabelo cacheado na minha vida e aprendi a lidar com ele, tenho também outras coisas para quebrar e outras questões, outros padrões dentro do meu cabelo cacheado. De estar com ele sempre definido, do volume ser controlado, do frizz também está controlado, dele estar sempre e hidratado. Mas é um processo que a gente vai fazendo, até cortar o meu cabelo foi um dilema porque eu falei “Meu Deus será que vai ficar bom, será que vou deixar o cabelão, será que as pessoas vão gostar, será  que vai ser bom pro meu trabalho? E estou aqui, amando.

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Você tem alguma dica ou truque capilar que aprendeu durante esse processo?

 Eu amo óleo, amo indicar óleo. Sempre falo em todo tipo de óleo que é mais indicado para cabelo, mesmo óleo de coco  que  ainda divide opiniões, mas eu amo eu amo óleo de coco eu passo na pele e passo no cabelo, boto na comida e na maquiagem. Eu amo óleo de Coco, mas tenho uns óleos também para o cabelo mesmo que são bons. Porque o nosso cabelo tende a ser mais ressecado então é bom dar uma reposição de óleo para ele. Isso foi uma coisa que mudou muito até o meu day after. Uma dica que eu falo sempre é testar produto, e testar a finalização porque é o jeito que a gente vai conhecer o nosso cabelo e entender também as possibilidades dele. Se a gente faz sempre a mesma coisa a gente se fecha para o novo. O cabelo cacheado tem muitas possibilidades, eu as vezes uso ele todo definidinho bem cheio. Às vezes eu passo menos produto e ele fica mais ondulado, mais baixo. Então vai testando e brincando e vai se conhecendo. Eu acho que é um pouco esse o processo

E você tem algum truque de beleza diário? Pode ser de maquiagem.

Cara eu agora  que cortei o cabelo… Eu não era do gatinho, mas agora de máscara que só tem o olho para aparecer, eu saio e puxo um a um gatinho. Eu acho que combinou muito com o cabelo. Mas eu estou nessa onda, agora todo dia eu passo a ser esse delineador que dá um desenho, e esse é meu truque, fazer um gatinho.

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