Escritora Juliana Valentim inspira jovens a lutarem por um mundo mais tolerante e livre

“A liberdade é o bem maior do indivíduo, e é por ela que temos que lutar todos os dias”. É exatamente dessa maneira que voz da escritora Juliana Valentim ecoa no ambiente literário. Ela, que também é jornalista, já publicou três livros e é responsável pelo perfil no Instagram Palavras que Dançam, onde inspira jovens a viverem e lutarem pelo que acreditam.

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“Estamos em um momento muito importante, com muitas pessoas buscando sua voz. Meu papel como escritora é trazer à tona esses assuntos e amplificar as vozes de quem precisa falar”, conta ela.

Uma das principais causas que ela faz questão de ressaltar é como a voz das mulheres sempre ficou em segundo plano na literatura – dá pra acreditar que os homens foram protagonistas desse setor por muitos séculos?

Em entrevista ao DOMÍNIO, ela dá mais detalhes sobre sua carreira, planos e o seu impacto social positivo para tantos jovens amantes dos livros.

DOMÍNIO: Como nasceu sua paixão pela escrita? E a ideia de escrever sobre temas como causas raciais e sororidade?
Juliana Valentim: Eu sempre fui apaixonada pelas palavras, desde criança. Lembro-me bem de quando aprendi a ler e fiquei encantada com os livros e com as bibliotecas. Com o tempo, fui me profissionalizando e lançando novos projetos. Eu digo que escrever é a coisa que eu mais amo fazer na vida, pois me dá a oportunidade de abordar temais tão importantes como o preconceito racial e questões de gênero. São assuntos que precisam ser discutidos até que a gente consiga, verdadeiramente, superá-los enquanto sociedade.

Você sempre sonhou em ser escritora?
Sempre! Nunca me imaginei fazendo outra coisa que preenchesse tanto a minha alma quanto escrever. Estudei jornalismo justamente para poder contar histórias. Ser escritora é meu propósito nessa existência, minha missão é amplificar vozes e movimentos que busquem uma sociedade mais justa. 

O seu último livro “O Abrigo de Kulê” aborda temas muito importantes pra sociedade hoje em dia, como o preconceito racial. De onde veio a inspiração para escrevê-lo?
Escrever é uma forma de luta! Então, eu quis trazer para o livro essas batalhas. Embora a história se passe em 1940, os assuntos seguem muito atuais. Isso significa que precisamos rever muita coisa, pois oitenta anos nos separam da história do livro e seguimos enfrentando as mesmas questões. Minha inspiração vem da vontade de mudar essa realidade!

A capa desse livro também é bem impactante. O que ela representa pra você?
Sou apaixonada por essa capa. Eu queria mostrar dois conceitos muito importantes na trama, a luta pela liberdade e a doçura. São coisas que parecem antagônicas, mas nem sempre são. Sou muito grata por ter encontrado duas artistas que conseguiram passar a mensagem de forma incrível, Elaine Lyra e Flávia Hashimoto.

Qual é a sua principal referência dentro da literatura?
Tenho muitas referências e cada uma delas chegou até mim em um momento de vida diferente. Acho que os autores chegam quando estamos preparados para eles. Sou fã incondicional de Rubem Alves e Cora Coralina. Gosto muito dos poetas, Drummond, Quintana, Pessoa. Adoro as crônicas, acho Veríssimo brilhante! Tenho buscado ler autores da atualidade também.

Como você vê a importância de mulheres negras ganharem cada vez mais voz na literatura brasileira? 
Acho imprescindível que a gente ocupe o nosso lugar. Carolina de Jesus, por exemplo, é uma das maiores escritoras brasileiras de todos os tempos e muita gente não a conhece. Como ela, há várias outras autoras negras que não ganharam o espaço que mereciam. Mas eu acredito que vamos conseguir amplificar nossas vozes. Hoje, temos nomes como Conceição Evaristo e Djamila Ribeiro chegando a muitas pessoas. Isso é muito bom!

De onde veio a ideia de criar o perfil “Palavras que Dançam”?
O Perfil @palavrasquedancam veio da vontade de compartilhar meus textos de uma forma mais ampla. A Internet é uma ferramenta incrível para chegar mais perto do leitor. Eu gosto muito da interação que temos por lá, a gente conversa, troca experiências, divide dores e delícias. Eu recebo diariamente muitos abraços virtuais. E não há nada mais gostoso do que essa troca.

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