Ensino a distância na pandemia: como isso afeta os alunos?

Alunos do Brasil todo vivem em uma constante instabilidade. Mês a mês esperam por notícias positivas em relação à volta das aulas presenciais, mas por enquanto essa situação está longe de se tornar realidade por conta da pandemia do novo coronavírus. Estados como Pará, Amazonas e Rio de Janeiro já discutem a volta às instituições ainda em 2020, enquanto algumas cidades de São Paulo continuam com o ensino a distância. Independente de quando acontecerá essa volta, ter aulas online às vezes pode ser um desafio.

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A aluna de arquitetura, Luiza Munhoz, contou um pouco dos prejuízos educacionais, financeiros e emocionais que as aulas remotas estão causando. Ela contou que nunca tinha tido aula online e não sabia como iria funcionar. “Eu não sou uma pessoa muito atenta, não sabia se iria funcionar”, disse Luiza. “Tudo era muito incerto”.

A estudante Luiza Munhoz

Instabilidade emocional

O início de 2020 foi marcado por uma preocupação mundial com a saúde, mas, para os jovens, a pandemia trouxe outros tipos de desafios também. “Eu estava tão preocupada e desesperada com o que estava acontecendo no mundo, mas ao mesmo tempo eu tinha que focar nas aulas EAD”, disse Luiza sobre a situação em março.

Essa instabilidade emocional não é exclusiva da estudante. Uma pesquisa, realizada pelo Datafolha em Julho, aponta que 74% dos jovens – margem de erro de 3 pontos percentuais – se sentem mais tristes, ansioso ou irritados com o passar dos meses durante a quarentena e com o ensino a distância.

Os alunos não foram os únicos que foram pegos de surpresa pelo ensino remoto. Professores também tiveram de se adaptar à nova realidade. Felizmente, nesse novo semestre, as universidades e colégios tiveram mais tempo para organizar como funcionariam as aulas.

Especialistas vêm apontando diferenças entre estudo remoto e EAD (ensino a distância), sendo que o primeiro é uma medida emergencial e o segundo é um modelo de ensino que requer equipamentos e sistemas específicos. Essa diferenciação foi importante para que os educadores pudessem se organizar para fazer dessa estratégia emergencial a melhor possível, mesmo sabendo das limitações existentes.

O âmbito econômico

Entretanto, as complicações não pararam no setor educacional. Outra área que gerou muita polêmica recentemente foi o prejuízo econômico. Os estudantes estão pedindo incessantemente para os colégios e faculdades diminuírem o valor das mensalidades, mas, na maioria das vezes, não teve resultado. Além da crise financeira que atingiu inúmeras famílias brasileiras, os alunos apontam a redução de gastos que a pandemia trouxe às instituições, como economia com a limpeza e com energia.

A questão das mensalidades é um dos principais motivos pelos quais vários jovens estão trancando os cursos. “Eu perguntei para mim mesma: será que vai funcionar? Será que eu vou perder mais um semestre?”, disse Luiza sobre a ideia de trancar, pelo menos até as aulas presenciais retornarem. Ela explicou que arquitetura é um curso extremamente prático, que demanda oficinas, trabalhos em equipe e excursões pela cidade. “A parte que eu mais gostava no curso era conhecer o lugar que eu estava projetando”, contou ela. “Olhar pela internet é muito diferente de estar lá, presencialmente, ver as pessoas e como elas se relacionam com a cidade”.

Os jovens universitários esperam anos para vivenciar a experiência universitária, que dura apenas 4 ou 5 anos. De repente, um ano inteiro desse sonho é retirado deles. “Eu amava ficar lá, convivendo na faculdade”: as palavras de Luiza representam o sentimento de milhões de universitários de todo o Brasil. Nesse período de incerteza, eles tentam manter o foco e principalmente, a esperança de poder voltar, com segurança, às saudosas salas de aula.

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