Ela foi vítima de um estupro coletivo aos 15 anos e hoje ajuda outras mulheres a superarem o trauma

Foto: Arquivo pessoal

A jovem Sunitha Krishnan tinha apenas 15 anos quanto oito homens conhecidos a estupraram. O motivo? Vingança. Hoje, com 46 anos, ela conta que eles achavam que ela “merecia uma lição” por questionar pensamentos machistas e militava por direitos sociais no vilarejo em que trabalhava, em Bangalore, na Índia.

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“Meus estupradores eram homens que achavam que tinham que me dar uma lição porque eu estava fazendo algo no vilarejo para mudar as mentalidades. Questionar, despertar as pessoas para que pensem diferente. Isso não é aceitável para esses homens”, conta à BBC Brasil (via Universa).

Atualmente, Sunitha ajuda outras mulheres a superarem o trauma do estupro comandando uma organização não governamental chamada de Prajwala (Chama Eterna, em sânscrito). A ativista conta que já ajudou mais de 18 mil vítimas de exploração e violência sexual. Meu estupro foi a primeira pedra do edifício. Acho que aquele foi meu primeiro momento de transformação, porque pela primeira vez eu entendi o que é a rejeição”, relembra.

“Fui culpada pelo que aconteceu comigo. Eu era motivo de vergonha para minha família, era vista como uma prostituta pela comunidade. O impacto dessa injustiça despertou uma raiva dentro de mim que só cresceu”, continuou Sunitha. “Aquilo me fez entender como as pessoas tratam as vítimas de crimes sexuais: como um criminoso, apesar de você não ter nenhuma culpa.”

O primeiro passo da ativista foi criar uma escola que abrigasse filhos de prostitutas. Como elas ficavam muitas vezes sem teto e sem opção, Sunitha conta que queria evitar que os filhos dessas mulheres tivessem o mesmo futuro que suas mães. Hoje em dia, a ONG já conta com 17 escolas desse tipo.

Apesar da Índia estar frequentemente nas manchetes com notícias de estupros assustadores, Sunitha conta que o problema não é único do país, mas sim algo global que precisa ser combatido. “O mundo agora está do lado das vítimas. Há muitas situações que provocam manifestações de apoio. Mais pessoas estão denunciando e o governo endureceu as penas para estupradores”, conta.

Apesar do triste cenário, ela admite que muitos homens indianos já estão mudando o pensamento e partindo em defesa das vítimas. “Há cada vez mais homens ativos na luta contra a violência de gênero. Os homens indianos estão começando a entender que são parte do problema e agora que fazer parte da solução”, conta.

 

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