Coronavírus: já estamos na hora de afrouxar a quarentena?

Foto: Kaspars Misins

Nas últimas semanas, várias cidades do Brasil começaram o processo gradual de reabertura da economia e afrouxamento da quarentena imposta pelo novo coronavírus. Em São Paulo, shoppings e ruas com comércios populares lotaram; no Rio de Janeiro, os cariocas aproveitaram para matar as saudades das praias. Mas será que é a hora da flexibilização? Já é a hora de ir visitar seus amigos de novo?

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É importante ressaltar que algumas cidades como Belo Horizonte, Cuiabá e Porto Alegre não tiveram o resultado esperado depois do afrouxamento do isolamento social. O aumento de casos da covid-19 fez com que as autoridades recuassem no processo de flexibilização. Especialistas alertam que o afrouxamento pode até acontecer, mas com cuidados e restrições.

“É necessária uma flexibilização, mas baseada em modelos que consigam monitorar com bastante acuidade a evolução da questão da saúde, levando em conta modelos econométricos”, alerta Arthur Igreja, especialista em inovação e tecnologia. “O que não pode é ser uma decisão política ou com um feedback tardio sobre se algo deu certo ou errado.”

O doutor Roberto Debski, médico clínico geral, psicólogo e que está na linha de frente no combate ao coronavirus, destaca que o número de casos no Brasil continua crescendo, o que exige muita cautela no processo de flexibilicação. “Se houver aglomerações e falta de precaução quanto à possibilidade de contágio, o número de casos pode voltar a aumentar em maior escala, com consequências imprevisíveis.”

As precauções

O doutor ainda destaca as precauções que devemos tomar se decidirmos – ou precisarmos – sair de casa. “Deve-se observar as medidas de isolamento social enquanto necessário, e quando houver abertura do comércio e demais estabelecimentos, respeitar-se a distância e a orientação quanto ao número de pessoas que entrarão a cada momento, à circulação de ar, uso das máscaras, higiene das mãos dentre outras medidas importantes.” Anotou?

Apesar de as previsões indicarem um possível achatamento da curva de contágio brasileira a partir do final de junho, Arthur ressalta que um afrouxamento irresponsável pode colocar qualquer projeção por água abaixo. “Se o cenário for parecido com o que aconteceu em São Luiz, no Maranhão, onde terminaram com as restrições mais abruptas, que foram acompanhadas por um aumento de circulação da ordem de 500%, a situação explode novamente. É importante entender isso, que se tiver um comportamento extremo por parte da população, qualquer previsão pode ser mudada.”

Apesar da reabertura dos estabelecimentos comerciais, a orientação continua a mesma: se possível, fique em casa. Se realmente precisar sair e ir para algum local com certa aglomeração, tome o maior cuidado possível, mantendo o distanciamento e higiene das mãos. Não, ainda não é a hora de reunir a galera ou fazer uma festa. Se todo mundo se ajudar, vamos sair dessa mais rápido, combinado?

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