Caso Mariana Ferrer termina com sentença inédita de “estupro culposo”

Em setembro, o caso Mariana Ferrer, em que uma jovem acusa o empresário André de Camargo Aranha de estuprá-la, voltou a ganhar repercussão nas redes sociais. O motivo: o acusado havia sido inocentado do crime. Imediatamente, a hashtag #justiçapormariferrer alcançou o Trending Topics do Twitter.

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Nesta terça, 3, o caso ganhou mais um capítulo lamentável e revoltante. O site The Intercept Brasil revelou que o promotor responsável alegou que não havia como o empresário saber, durante o ato sexual, que a jovem não estava em condições de consentir a relação. Com isso, o juiz aceitou a argumentação de que ele cometeu “estupro culposo”, ou seja, quando não há a intenção de estuprar, um “crime” não previsto por lei. O resultado de tudo isso se deu na absorção de Aranha.

Imagens inéditas divulgadas pelo portal mostram que Mariana foi humilhada pelo advogado de André durante vários momentos do julgamento. A defesa do empresário mostrou fotos sensuais produzidas pela jovem enquanto modelo profissional antes do crime. O advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho afirmou que “jamais teria uma filha” do “nível” de Mariana, além de repreender o choro da vítima: “não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso e essa lábia de crocodilo”.

Durante o interrogatório, a jovem reclamou da abordagem para o juiz: “Excelentíssimo, eu tô implorando por respeito, nem os acusados são tratados do jeito que estou sendo tratada, pelo amor de Deus, gente. O que é isso?”

Entenda o caso

O crime teria acontecido em dezembro de 2018 na praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis. Na época com 21 anos, Mari trabalhava como promoter na balada Café de la Musique.

Em depoimento dado à polícia, a jovem conta que teve um lapso de memória durante aquela festa e acredita ter sido drogada. O exame feito por ela comprova que ela era virgem na época e comprova material genético de Aranha em suas roupas.

Em julho de 2019 o primeiro promotor a lidar com o caso denunciou André de Camargo Aranha por estupro de vulnerável e pediu a sua prisão preventiva. O pedido foi aceito pela justiça, mas a defesa conseguiu derrubar a medida com uma liminar.

Em maio de 2019, o empresário disse que nunca teve contato com a jovem. Em 2020, ele mudou a versão e disse que chegou a fazer sexo oral nela e afirmou que foi Mariana que se aproximou dele.

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