Caminhando em direção ao “antigo normal”

Um ano e quatro meses de pandemia. Cerca de 480 dias em um “novo normal”. Um normal que escondeu sorrisos, um normal que proibiu abraços, um normal que trocou toques por telas. Não foi nada fácil, né? Depois de todo esse tempo, eu tive um final de semana parecido com o “antigo normal”. 

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Considero este artigo um desabafo pessoal, mas também, um desabafo dos brasileiros. Daqueles que se afastaram dos que amam para protegê-los. O primeiro final de semana de agosto foi marcado por suspiros de alívio. Os stories no Instagram e o feed do Facebook foram tomados por fotos de jovens se vacinando e famílias se reunindo. 

Reprodução Unsplash

O meu final de semana não foi diferente. Quando meu carro estacionou na frente da casa de uma prima, eu vi as crianças correndo para abrir a porta. Os sorrisos que, ultimamente, andavam escondidos atrás de máscaras com ilustrações de desenhos animados, estavam descobertos. E que saudades que eu estava desses sorrisos… 

Nós fomos os primeiros a chegar. Com o passar dos minutos, outros primos foram chegando e se cumprimentando com o automático “soquinho” do “novo normal”. Alguns ainda carregavam, no braço, o adesivo que simbolizava a segunda dose da vacina, a tão esperada imunização completa. 

Quando nos reunimos na mesa perto da churrasqueira, alguém perguntou em tom de brincadeira: “Eu já estou vacinada e vocês?”. A maioria respondeu que sim e, um pouco hesitantes, fomos nos abraçando. Um por um. Um ano e quatro meses depois. Meus olhos se encheram de lágrima, assim como os de muitos outros integrantes da família. Pessoas que me abraçavam desde que eu nasci, eu já não lembrava mais do toque. Como foi bom relembrar esses toques… 

Mas não se enganem. Todavia há um longo caminho pela frente. Ainda existem pessoas se contaminando, ainda existem pessoas morrendo. Máscaras, ficar em casa o máximo possível e outros cuidados (que já estamos cansados de escutar) ainda são essenciais para protegermos a nós e aqueles que amamos. Mas sim, pode-se dizer que estamos caminhando em direção ao nosso velho e querido normal.

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