A nova era de medo para as mulheres afegãs

Imagens de caos e desespero chocaram o mundo após a tomada da capital Cabul por parte do grupo extremista Talibã. Além de Cabul, outras cidades importantes do país já tinham caído com facilidade. Com a retirada das tropas estadunidenses, o exército do Talibã derrotou a segurança nacional afegã, levando inclusive à fuga do presidente Ashraf Ghani. 

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Começa agora uma era de terror para os afegãos. Principalmente para as mulheres. O Talibã segue uma versão distorcida da Sharia, lei islâmica, para perseguir e atormentar  mulheres. A regra mais conhecida é a obrigatoriedade do uso da burqa ou similar. 

É obrigado cobrir os corpos femininos

Uma imagem viralizou nas redes sociais ao mostrar a jornalista da CNN, Clarissa Ward, com um véu islâmico preto que cobria todo o corpo. A foto foi comparada com imagens de Clarissa antes da tomada do Talibã, quando as mulheres eram permitidas de usar qualquer tipo de vestimenta. 

Reprodução CNN

É importante ressaltar que o grupo extremista utiliza a religião como justificativa para perseguir, matar e criar as próprias leis. Entretanto, o Islã não incita qualquer tipo de violência e não impõe regras de vestimenta para as mulheres. É uma escolha de cada afegã. Uma escolha que foi tirada delas após a tomada do Talibã. Não é certo relacionar o extremismo com o islamismo e muito menos incitar o ódio à muçulmanos. 

Trancadas em casas que não são lares

Além dos códigos de vestimenta, o Talibã possui outras regras rígidas e cruéis para as mulheres afegãs, como a proibição de morar sozinha ou até mesmo sair de casa sem o marido. 

Outro ponto que já sofreu mudanças com a chegada do Talibã foi a televisão do país. De acordo com a BBC Monitoring, não há mais mulheres apresentando programas. Além disso, os principais canais de televisão estão transmitindo mensagens pró-Talibã e de cunho religioso. 

O grupo extremista não controlava o Afeganistão desde 2001. Seu regime no final dos anos 90 e início dos anos 2000 foi marcado pela quebra de todos os direitos humanos das mulheres. Desta vez, o Talibã afirma que será diferente, mas especialistas acreditam que essa fala é apenas uma estratégia para alinhar parceria com outros países. 

Uma prova de que os ideais do grupo não estão mais flexíveis é o casamento forçado. Os líderes religiosos locais devem entregar uma lista de mulheres solteiras com mais de 15 anos e viúvas com menos de 45. Elas serão entregues para se casarem com militares talibãs. Por enquanto, esse planejamento não foi adiante, mas muitas mulheres amedrontadas já fugiram para escapar deste destino. 

Futuros brilhantes sob ameaça

Nos últimos 20 anos, as mulheres afegãs se destacaram nas universidades e no mercado de trabalho. Inclusive, um grupo de jovens afegãs desenvolveu um ventilador para ajudar no tratamento de pacientes com COVID e apareceram na lista “Under 30” da Forbes. 

Reprodução Twitter

Entretanto, o futuro dessas e muitas outras jovens brilhantes está ameaçado com a tomada do Talibã. De acordo com as regras do grupo extremista, mulheres não podem estudar e nem trabalhar. 

Aisha Khurram, uma ex-embaixadora da Juventude da ONU, compartilhou um tweet neste domingo sobre a situação na universidade. “Alguns professores se despediram de suas alunas quando todos foram evacuados da Universidade de Cabul nesta manhã … e talvez não tenhamos nossa formatura assim como milhares de alunos em todo o país.…”, ela escreveu na rede social. 

Muitas nações e a ONU estão se posicionando sobre a situação do Afeganistão. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, continua a defender a retirada de seu exército do país. Já o secretário geral da ONU, Antonio Guterres, diz que está “horrorizado” com as restrições impostas pelo Talibã. Mas a cada segundo que passa, as mulheres afegãs continuam vivendo em uma prisão e são privadas de seus direitos básicos.

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