A grande problemática por trás do filme “365 dias”

Lançado em fevereiro desse ano, o filme polonês 365 dias, da Netflix, anda fazendo o maior sucesso na plataforma e se encontra, há semanas, entre os 10 mais assistidos. Acontece que não é só do grande falatório que vive essa nova atração, mas também de uma história controversa e recheada de polêmicas.

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Isso porque o longa está sendo acusado de romantizar diversos fatores abusivos como sequestro, assédio, relação abusiva, violência psicológica e ainda de normalizar a Síndrome de Estocolmo – um estado psicológico em que a pessoa submetida a intimidação, medo, tensão e até mesmo agressões, passa a ter empatia e sentimento de amor e amizade por seu agressor – ao retratar uma mulher se apaixonando pelo sequestrador que a prende em cárcere privado.

O suspense erótico inicia mostrando a vida de Massimo, um mafioso italiano que se encanta por Laura após vê-la no horizonte quando é atingido por um tiro. Depois, o personagem principal desenvolve uma obsessão que o faz sequestrar a garota no intuito de fazê-la se apaixonar por ele em 1 ano.

Acontece que após um período de negação e de tentativas fracassadas de fuga, Laura acaba se apaixonando por Massimo, trazendo à tona a tão perigosa Síndrome.

Para Carolina Freitas, sexóloga e especialista da Plataforma Sexo sem Dúvida, o filme é um desserviço à saúde sexual e mental. “É muito sério, perigoso para saúde física, mental e sexual, uma plataforma pública de streaming propagar isso enquanto romance e erotismo e as mulheres consumirem esta ideia como se a história fosse um belo conto de fadas.”

A cada hora, aproximadamente 500 mulheres sofrem algum tipo de violência no Brasil. Como se não bastasse, nossa cultura costuma naturalizar o abuso, negligenciando seu caráter destrutivo e tornando-o sensível e sedutor, exatamente como no filme.

Essa romantização do abuso faz com que a grande maioria da sociedade não consiga identificar de imediato as violências silenciosas presentes na vida de um casal, muitas vezes por acreditarem que esses episódios sejam apenas fases naturais de todo e qualquer relacionamento afetivo.

“Assistir a esse filme me fez sentir uma regressão no meu trabalho diário. As atitudes retratadas por ele dificultam a luta contra a violência feminina, mantendo a mulher neste espaço de fragilidade e resgate, que vai contra a todo o movimento de libertação e autonomia feminina” comenta Carolina.

Romancear e normalizar a violência é muito sério e acontece tanto no filme quanto na vida real. Por isso, fique atentx. Caso você se encontre em situações de abuso, não a romantize e nem se esconda: disque 180 ou vá até uma delegacia de atendimento à mulher.

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