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*Depoimento à revista CLAUDIA

Eu sempre tive vontade de ser mãe. Samanta é minha filha única, fruto de um namoro que não deu certo. Ser mãe traz um sentimento muito gostoso. Um filho é como se fosse uma continuação nossa. É um ser que nasceu de mim. Eu tenho muito orgulho de minha filha.

Vejo que é uma pessoa muito humana; que luta por uma causa. Samanta é uma mulher transgênero. Faz dois anos que tive essa revelação.

Durante a infância, nunca percebi o que acontecia. Quando pequena, com uns 5 anos, Samanta gostava de brincar de bonecas. Eu nunca vi isso como errado. Sempre acreditei que brinquedo não tem gênero. A sociedade que nos impõe esta divisão.

Porém, acabei levando-a para consultar uma psicóloga. No meu íntimo, eu não via nada de errado. Mas e o medo de estar fazendo algo de errado sem saber?

A psicóloga, então, confirmou minha teoria de que brinquedos não eram divididos por gênero. Mas, aconselhou para que eu não incentivasse minha filha a prosseguir com as brincadeiras.

Eu acatei o conselho em um primeiro momento. Me doeu e em Samanta também. Percebi que ela se entristeceu com a proibição. Na época, chegou a comentar que queria ter nascido como as meninas e eu perguntei o porquê. ‘Porque as meninas podem usar brincos, vestidos, batons e brincar com as bonecas’, ela me respondeu.

Decidi esquecer o conselho da psicóloga e deixei a menina brincar. Ela voltou a ser uma criança feliz.

Até que chegou a adolescência e minha filha se tornou uma pessoa caladareservada, que ficava muito tempo no quarto, na dela, e que evitava a família.

Seu comportamento tinha um motivo: Samanta estava entendendo sua orientação sexual. Naquele tempo, ela descobriu que gostava de homens e se sentia confusa com a ideia. Eu perguntei se o modo como a criei havia influenciado de alguma maneira. ‘Você me deu a felicidade de poder brincar’ foi a resposta que recebi.

Três anos depois tivemos outra conversa. Quando Samanta estava com 18 anos, resolvemos fazer a viagem para Salvador. Foi lá, na Bahia, que ela me contou que se identificava como uma mulher. ‘Mãe eu tenho uma coisa para te contar. Eu sou transgênero. Estou decidida a lutar pelo que eu acredito e pela minha felicidade, tendo ou não a sua benção.’

Minha reação imediata foi de angústia. E se os procedimentos de mudança que ela pretendia fazer dessem errado? Fiquei com medo, mas sabia que não tinha muito o que fazer a não ser apoiá-la.

Hoje fico feliz que tudo deu certo. Sabe, antes de Samanta eu não entendi muito bem essa história de transgêneros. Mas agora eu entendo melhor. Minha filha despertou em mim a vontade de lutar por essas pessoas cuja família não as aceitam. É preciso entender que os trangêneros não escolhem ser quem são. Eles nascem assim.

Eles já são excluídos da sociedade, da igreja… Se a família não os apoiar, o que vai ser dessa pessoa? Precisamos apoiar nossos filhos.

– Ana Zuleide, mãe de Samanta

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