Pabllo Vittar mistura pop, axé, forró, pagode e acerta em cheio com “Não Para Não”

Em 2017, Pabllo Vittar dominou a cena musical brasileira com seu primeiro álbum, Vai Passar Mal, que nos presenteou com os megahits K.O. Corpo Sensual. Além de suas músicas, a cantora também emprestou a sua voz para outro giga sucesso: o single Sua Cara, parceria com Anitta e Major Lazer. É óbvio que a carreira de Pabllo ainda tinha muito o que surpreender e ir cada vez mais longe.

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Nesta quinta, 3, ela lança o seu incrível novo disco, Não Para Não, também assinado por Rodrigo Gorky e seu time, a Brabo Music, mesmos responsáveis pelo primeiro álbum de Vittar. A diferença é que desta vez ela conta com todo o suporte da Sony Music, gravadora que a contratou no fim do ano passado. A diferença se vê nítida nas dez canções do álbum: voz mais trabalhada, parcerias de peso e arranjos muito mais elaborados. Não que Vai Passar Mal tenha feito feio, muito pelo contrário. A diferença neste segundo álbum fica por conta da valorização real da voz de Pabllo e como esta pode ser inserida de forma saudável nas músicas.

O disco começa com o pé na porta: Buzina mescla batidas pop e sintetizadores com sanfonas e um ritmo tecnobrega delicinha. Em seguida, temos Seu Crime, um forrozão agitado com batidas poderosas – canção produzida pelo gigante Diplo. O cd continua com o já hit pagodão eletrônico Problema Seu. 

A quarta música, Disk Me, é boa, mas esfria um pouco o álbum. Lembrei muito de Aviões de Forró com uma pitada de R&B internacional. Mais forrózão: Não Vou Deitar é uma música que pode ir direto para as festas juninas – um ótimo acerto.

A segunda metade do álbum ficou reservada para os feats. O primeiro deles é Ouro, música feita em parceria com a cantora trans Urias. O ritmo meio reggae lembra muito Man Down, da Rihanna. A sétima canção é um hit pronto e uma das melhores do disco. Trago Seu Amor de Volta é uma parceria com o pagodeiro Dilsinho e apesar de sua voz não conversar muito com a de Pabllo, temos uma música que foi feita pronta para bombar nas rádios e pistas e grudar na cabeça dos fãs. O último feat fica por conta de Vai Embora, colaboração com Ludmilla. A música é uma grande mistura de funk, pop e trap. O resultado deixou um pouco a desejar, mas nada que prejudique o andamento do álbum.

As duas últimas músicas finalizam o CD pra cima: No Hablo Español tem um quê de Camila Cabello e nos apresenta a voz maravilhosa de Pabllo como nunca havia sido vista antes. Miragem, um tecnobrega delicioso, encerra o disco com vigor.

Além de ter uma grande importância como voz LGBTQ, Pabllo prova que continua sendo um grande talento da música nacional. Não Para Não pode até der um pequeno deslize ou outro, mas não estraga nem um pouco o andamento desse lançamento tem-que-ouvir.

A importância da artista – uma cantora drag queen que conquistou o seu espaço no mainstream e conseguiu se destacar entre os grandes da música brasileira – vai além de sua importância para a diversidade e se torna um ícone e referência para o cenário pop nacional.

Apenas obrigado, Pabllo!

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