O que aprender com o legado de Marielle Franco

Em 14 de março de 2018, exatamente um ano atrás, Marielle Franco, vereadora do PSOL, e o motorista do carro que a conduzia, Anderson Gomes, foram brutalmente assassinados no centro do Rio de Janeiro. Nascida na favela da Maré, Marielle era conhecida por sua constante luta pelo direito das mulheres, LGBTs, igualdade racial e pelas vidas dentro das comunidades cariocas.

Ela entrou para a vida política em 2005, após uma amiga morrer vítima de bala perdida no Rio. Em 2016, foi a quinta deputada mais votada, com mais 46 mil votos. Em sua campanha, ela usava sua voz para falar que as vidas nas favelas importam tanto como qualquer outra. “A gente não tem que normalizar o entrar na favela e ter que acender as luzes ou sair da favela e ter que ouvir de agente de segurança que ainda não matou ninguém. A gente vai entrar, vai sair, vai fazer política, vai resistir, vai dar a cara. Isso é uma das coisas que me orgulha”, dizia.

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Dias antes de sua morte, Marielle havia postado um protesto em suas redes sociais contra o abuso da força policial na favela do Acari. Em relato, ela dizia que policiais do 41º batalhão estavam aterrorizando os moradores. “Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento”, dizia ela, que alegou que dois jovens haviam sido mortos por policiais na favela. Menos de uma semana depois, Marielle foi morta.

O seu assassinato provocou uma comoção nacional e acendeu uma chama que dificilmente será apagada. O luto por seu falecimento se transformou em verbo e agora todos nós lutamos pelo que a vereadora reivindicava.

O fim trágico da vida de Marielle mostrou o quão grande é a luta pelos direitos humanos e como a sua voz ecoou, gerando impacto no Brasil e no mundo. Com ela, aprendemos que é possível lutar e conquistar direitos básicos, como o de ir e vir; aprendemos que a desigualdade da liberdade social para as mulheres, principalmente para as negras e moradoras da favela, existe e precisa ser combatida; e vemos que, infelizmente, a falta de amor e empatia está matando os nossos direitos, inclusive na possibilidade de fortalecer a democracia e construir uma sociedade mais igualitária.

Marielle deixou o legado de resistência. E por mais que essa palavra seja interpretada de forma tão errada por tanta gente, é uma palavra necessária. É uma atitude necessária. Vidas negras importam. Vidas LGBTs importam. Vidas das favelas importam. Vidas das mulheres importam. Vamos resistir, Marielle. A chama que você acendeu está longe de ser apagada.

 

 

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