Escola de Moda: a brilhante carreira de Olivier Rousteing, diretor criativo da Balmain

A primeira memória oficial de Olivier Rousteing – hoje o todo poderoso diretor criativo da Balmain – de sua infância é um orfanato que viveu em Bordeaux, cidade em que nasceu na França. Ele foi adotado por seus pais com 1 ano e meio de idade. “Nos cinco meses que passei no orfanato, vivia chorando – o que era estranho, pois hoje não sou do tipo que chora”, disse à Vogue. “Mas, quando vi meus pais, sorri pela primeira vez. Eles se encantaram por mim e disseram: ‘Este é o bebê que queremos’. O administrador do lugar retrucou: ‘Tudo bem, mas ele é negro, vocês têm certeza? Temos tantos outros bebês brancos’. Mas meus pais insistiram que era eu que eles queriam levar.”

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Um bebê negro adotado por uma família branca, segundo ele, não era algo comum nos anos 80. “Enfrentamos muitas situações difíceis. Mas, em vez de pensar o tempo todo que eu era adotado, repetia para mim mesmo: ‘Eles me amam, eles são meus pais’. Entre os meus 10 anos e o fim do ensino médio, ouvi comentários terríveis, insinuando que eu era bastardo porque meus pais eram brancos; e eu, negro. Era muito complicado”, contou.

No início da sua adolescência, seus pais gostariam que ele fosse para a área de exatas quando adulto, porém o gosto pela moda levou Olivier a trilhar esse caminho no mundo fashion. “Era muito bom em matemática, mas acabei influenciado por minha avó Suzelle, que gosta muito de moda.”

Em 2003, ele se formou na faculdade de moda e começou sua carreira como designer na Roberto Cavalli, onde foi promovido a diretor de criação de uma coleção feminina da marca italiana, atuando por cinco anos naquela posição. Rousteing se juntou a Balmain em 2009. Durante seu tempo na grife, ele trabalhou em uma estreita colaboração com Christophe Decarni, então diretor criativo.

 

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Em 26 de abril de 2011, aos 25 anos, Olivier Rousteing substituiu Christophe como diretor de criação da Balmain.  Na época de sua nomeação, Rousteing era um designer relativamente desconhecido, e trouxe uma visão nova e necessária sobre a estética da marca que permanece até hoje. Acredita-se que ele tenha adicionado uma influência asiática às roupas, já que a Ásia compreende uma grande parte dos compradores da marca. Rousteing diz que sua idade, anonimato inicial e, especialmente, raça levou a alguns estranhamentos na indústria da moda. “As pessoas ficaram tipo, ‘Oh meu Deus, ele é uma minoria tomando conta de uma casa francesa!'”, disse ele em entrevista à revista Out.

 

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Desde a sua chegada, a moda masculina representa 40% da receita da Balmain. Embora a empresa não divulgasse números, estima-se que a receita da grife aumentou de 15% a 20% entre 2012 e 2015.

 

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Com a ajuda de celebridades como Kim Kardashian, Kelly Rowland, Jennifer Lopez, Rihanna, Beyoncé, Justin Bieber, Nicki Minaj e vários modelos, incluindo as da Victoria’s Secret, Rousteing ajudou Balmain a se tornar a primeira grife francesa a chegar a milhões de seguidores no Instagram.

No mercado da moda, Olivier também é representatividade. Além de falar abertamente sobre o fato de ser adotado, ele é um dos poucos estilistas negros à frente de uma grande marca.

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