Em entrevista exclusiva, Projota revela que seu sonho é gravar com Eminem

Recentemente, Projota lançou seu novo álbum titulado ‘A Milenar Arte de Meter o Louco’. Bastante autobiográfico, o disco traz letras com caráter pessoal e aborda questões fortes da vida do músico. Em um bate papo descontraído, Projota contou ao Domínio Pop um pouco sobre o novo trabalho, projetos futuros e a atuação na TV e no cinema.

Como funciona o seu processo de composição? Você é daqueles que escolhe uma hora do dia para compor ou as ideias vão surgindo?

Ah, eu vou jogando tudo no celular. A gente fala que manda tudo pro papel, mas é mentira, porque faz séculos que eu não componho no papel. Eu pego o bloco de notas do celular, ouço uma batida e “vomito” a letra. A maioria das composições são assim. Lógico que há exceções, mas a maioria sai desse jeito.

Qual a música desse álbum que você mais curtiu fazer?
Eu acho que ‘Antes do Meu Fim’ é uma música muito boa, mas não tem como escolher. Nesse minuto é essa, daqui a cinco minutos pode ser que mude.

Então no final da entrevista eu te pergunto novamente.
Isso! (risos)

As parcerias do disco são bem variadas, como por exemplo Karol Conká e Anavitória. Como foi para você misturar diferentes estilos musicais no seu novo disco?

Eu sempre proponho isso. No processo de gravação acabo recebendo alguns convites, e aí vai saindo meu som com a galera de outros estilos. Eu quero isso para minha carreira e para o RAP no geral, porque é uma porta que eu abro e que fica aberta para todo mundo. É importante para a gente desmistificar e tirar os estigmas e preconceitos que existem em relação a esse estilo musical. Isso, ao longo dos anos, tem acontecido muito. Eu fico muito feliz de ter adquirido um respeito grande com o meu trabalho.

Embora o cenário tenha mudado, você acredita que ainda há machismo no mundo do RAP?

O machismo existe até em mim, mesmo que eu escreva música para as meninas e procure promover essa quebra do machismo, ele habita em mim. Estamos participando de um processo de desconstrução. Eu tenho 30 anos de machismo e 2 anos tentando me desconstruir ao máximo. Isso ainda tá muito enraizado, e o RAP sempre foi um estilo de música muito machista. Para que a gente se desvincule demora muito tempo, mas não pode demorar para a gente acordar. É um processo que demanda um pouco de tempo, mas temos que lutar contra esse tempo. Não adianta eu colocar tudo na minha música e não chamar a atenção de algum amigo que mexeu com uma menina na rua. É você cortar o machismo ali no dia a dia. Minha música não vai dizer nada se não fizermos isso. Para de puxar a menina na balada e achar que porque ela está ali bebendo, ela tem que transar com você!

Sabemos que você atuou na série Carcereiros. Como foi a experiência de atuar? Já era uma vontade fazer um trabalho como ator?

Ao mesmo tempo que era uma vontade, era também um medo do dia em que alguém ia me chamar pra fazer uma parada assim (risos). Eu sou muito exigente comigo, muito crítico… Eu vou muito ao teatro, assisto muitos filmes, então não tem como eu não ser crítico. Eu sabia que quando me chamassem, eu teria de fazer o trabalho muito bem, senão ficaria revoltado comigo mesmo. Eu fiz uma preparação intensiva de elenco junto com os outros atores da série e saí de lá transformado. A experiência tá no top five da minha vida. Fui convidado para fazer um filme também – Sequestro Relâmpago, filme de Tata Amaral com estreia prevista para 2018 – já trazendo na bagagem essa experiência. Também atuei no clipe ‘A Milenar Arte de Meter o Louco’, onde eu escrevi o roteiro e tive toda a ideia do vídeo. Tudo isso por causa do Carcereiros, porque foi isso que permitiu me visualizar atuando.

Então podemos esperar mais atuações suas, né?
Agora é rumo ao Oscar. Em 2019 eu estarei lá!

Vai roubar o Oscar do Leonardo Di Caprio!
Sim! (risos)

Como é para você lidar com esse sucesso? Hoje o seu nome é um dos mais conhecidos no cenário musical.

Hoje eu lido muito bem, mas já passei pelas dificuldades disso. Eu estou na melhor fase da minha vida e em todos os sentidos. Fui recuperando aquela vontade de fazer música que eu tinha com 17 anos, uma vontade de sair correndo e dominar o mundo, sabe? Chegou na melhor hora, no auge da minha carreira… Naquela época eu não tinha nem onde gravar uma música, então imagina o que eu sou capaz de realizar hoje?

 Falando de futuro, qual o sonho que você ainda quer realizar?

Quero gravar com o Eminem. Um dia eu hei de gravar com ele, porque eu não duvido de mais nada!

Comments

comments

Leave a Reply
Your email address will not be published. *

Click on the background to close