A importância de mulheres trans e drag queens na cultura pop atual

A música K.O., da Pabllo Vittar, foi uma das canções mais executadas no Brasil em 2017, assim como Sua Cara, parceria da artista com Anitta e o grupo Major Lazer. Há 10 anos atrás, se alguém me dissesse que uma drag queen iria alcançar o topo das paradas e ter sua música tocada em baladas e festivais heteros, eu com certeza iria duvidar. Hoje isso acontece. E no país que uma pessoa LGBT morre a cada 19 horas por conta da homofobia.

Leia também:

Vittar se destacou muito na cultura pop brasileira, porém não foi a primeira a representar tão bem a comunidade LGBT. Alguns anos antes, Candy Mel, uma das vocalistas da Banda Uó, desempenhou esse papel com vigor. Diferente de Pabllo, Mel se destacou somente no meio LGBT, mas acabou se tornando referência como mulher trans a cantar nos principais programas de TV do país e estrelar campanhas de marcas famosas – ela já foi garota-propaganda da Avon.

Quem também merece os nossos aplausos por tamanho destaque é Liniker, que fala abertamente sobre a identidade de gênero junto de As Bahias e a Cozinha Mineira.

Pabllo, Mel, Liniker e tantos outros nomes incríveis que temos por aí abriram espaço para que cantoras trans e drags estivessem cada vez mais presentes nas rodas de conversa, paradas de sucesso, trilhas sonoras de novelas e baladas não exclusivamente LGBTs. No ano passado, a drag Aretuza Lovi assinou contrato com a Sony, uma das maiores gravadoras do país, para o lançamento de Mercadinho, seu primeiro disco de estúdio. Alguns meses atrás, Lovi lançou Arrependida, single em parceria com Solange Almeida, ex-líder do Aviões do Forró.

Assim como Lovi, Gloria Groove é outra drag que saiu do cenário alternativo para ganhar o mainstream. Recentemente, ela gravou com Iza e lançou a música Arrasta em parceria com Léo Santana, outro grande feito para a representatividade LGBT. Gloria ainda emplacou a música Bumbum de Ouro na trilha sonora da novela Malhação. 

Quando o assunto é funk, logo pensamos em Lia Clark, drag que tem se destacado nas boates LGBTs cantando o ritmo. Apesar de fazer parte de uma vertente mais segmentada – e sem intenção de sair dele -, Clark vem sendo vista cada vez mais em grandes festivais e ainda colaborou com Pabllo Vittar na música Ele é o Tal, presente em seu disco de estreia.

A importância de ter nomes que representem a comunidade LGBT presentes em programas de TV e nas paradas de sucesso tem um grande objetivo: mostrar para uma parcela maior da população o que acontece em um setor que até então era super segmentado – e visto com olhos tortos pela sociedade. No fim do dia, o que todos nós queremos é respeito. É representatividade. É se sentir incluso. É acabar de vez com o preconceito.

 

Comments

comments

Leave a Reply
Your email address will not be published. *

Click on the background to close